terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Deixar-te

(Escrito em uma crise sentimentalóide em agosto de 2009.)

Hoje olho para você, e percebo que é a única coisa que jamais mudou em minha vida. Te vejo ali, deitado tranquilamente em nossa cama, e tudo está em seu lugar. E então penso: como poderia te deixar? Em minha vida, você foi a tempestade e a calmaria, o sol e as noites longas, os sorrisos e as lágrimas. É como se você fosse minha camiseta favorita: pode parecer desbotada e velha aos olhos dos outros, porém ainda é a mesma para mim, que já não posso e talvez nunca poderia encontrar substituta à altura.
Deixar-te seria deixar a mim mesma, pois sem você já não sei quem eu seria. Não posso deixar-te porque te amo, porque sem você é como não ter um braço ou não poder comer sorvete de morango (coisa que só é suportável com você). Por outro lado, talvez te deixar possa me libertar. Se eu te deixasse, tudo em minha vida mudaria. Eu sairia de casa, iria dormir e chegar em casa a hora que eu quisesse e viajaria quando bem entendesse. Conheceria outras pessoas, reveria velhos amigos e até me envolveria com outros caras, até que você estivesse fazendo falta demais para eu continuar longe de casa.
Ir em frente ou permancer aqui são duas opções completamente diferentes, mas só é preciso de um pouco de coragem para se decidir. Permanecer é fácil, difícil é conviver com a eterna dúvida sobre o que teria acontecido se eu houvesse partido. Essa travessia será difícil, mas em algum momento eu sei que terei de fazê-la. Creio que é melhor que seja agora, enquanto eu ainda tenho esperança o suficiente para me recuperar de seja lá quantas mágoas eu sofra. Tudo o que eu preciso agora não são promessas de eternidade ou uma segurança maior: preciso me sentir viva.

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