sábado, 23 de maio de 2009

Que opinião?

Muitas pessoas ficaram revoltadas com a notícia de que o deputado Sérgio Moraes havia declarado estar se lixando para a opinião pública. Também achei essa declaração um absurdo, porém, até que ponto essa declaração é plausível?
Antes de nos revoltarmos completamente contra o deputado, temos de lembrar de uma coisa: estamos no Brasil. Isso significa que "opinião pública" não abrange toda a população, e apenas uma pequena parte dela. O Brasil é formado por um povo que basicamente trabalha, assiste novela, dorme e então começa a rotina novamente. Lazer é ouvir música de baixa qualidade em lugares super lotados, beber uma cerveja e ficar sem fazer nada, ir à praia (que também costuma ser lotada) e apenas coisas desse tipo. É apenas uma pequena parte da população que tem o hábito da leitura, que se interessa por política, artes e entretenimento de qualidade. Esse seleto grupo sim, tem conhecimentos básicos suficientes para formarem uma "opinião pública". Talvez uns 20 ou 30 % dos brasileiros sejam assim. E eu acho que estou sendo otimista com esses números.
Como conseguir um voto consciente, se a maioria da população não tem sequer cultura suficiente para isso? Como conscientizar um povo tão grande, se pra eles leitura é chatice e perda de tempo, se música de qualidade é música de "gente rica", se horário político é um pé no saco?
Para construírmos um país melhor, precisamos ter uma população melhor. Uma população que saiba em quem e porque está votando, que compreenda que tem direitos e deveres, que seu voto faz diferença sim e que o hábito da leitura é extremamente agrádavel.
É difícil tentar mudar pessoas que agiram a vida inteira dessa forma inculta, porém podemos incentivar as crianças a ter bons hábitos desde cedo. Podemos, por mais que sejamos poucos, votar com consciência e agir da mesma forma. Afinal, já que a opinião pública brasileira é quase inexistente, podemos muito bem conservar o pouco que existe.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Bagunça pessoal :)

Eu estava lendo uma crônica de Martha Medeiros, quando me deparei com um assunto que gosto bastante, a casa de um escritor. Interessante, porque eu jamais tive a oportunidade de ter o meu espaço, e mesmo que eu ainda esteja muito longe de ser uma escritora, isso faz muita falta.
Na casa onde moro, minha mãe sempre teve uma obsessão por manter tudo em seus devidos lugares, e principalmente, tudo muito apresentável, para o caso de alguma visita inesperada chegar. Desde pequena, sempre achei isso uma grande bobagem, mas se eu disser isso serei repreendida, como na maioria das vezes que quero dizer minhas opiniões geralmente contrárias.
Essa organização quase excessiva, faz com que qualquer casa me pareça extremamente impessoal, inclusive a minha. E ainda para ajudar, desde pequena tenho de dividir o quarto com minha avó, que é uma pessoa maravilhosa, mas também insiste em manter tudo em seu devido lugar, e é a única coisa da qual eu realmente sinto pavor. Para mim, organização é uma coisa impessoal e fria demais.
Obviamente, eu não acredito que as pessoas têm de viver em uma bagunça completa, e muito menos na sujeira. Só acho que um tênis perdido, uma mochila largada à um canto e uma cama bagunçada nunca matou ninguém. Muito pelo contrário, acho que isso dá um ar de "habitado" à qualquer ambiente. Um casaco deixado de lado, um óculos perdido, um sutiã deixado pendurado em algum lugar, tudo isso torna a coisa mais aconchegante, mais...humana. Coisas austeras e arrumadas me causam arrepios. Por isso que sempre que dizem para mim, "Não repare a bagunça", eu digo que realmente não me importo, porque ah, eu sou uma bagunceira de primeira e adoro uma bagunça. Se você não colocar uma de suas mãos em frente ao rosto para se proteger, quando abrir meu guarda-roupas vai ser atingido por roupas, livros e outras coisas que cairão em você no exato instante em que você abrir uma das portas. Meus tênis estão sempre jogados por aí, meus óculos de grau quando não estão no rosto também estão perdidos pela casa, o livro que estou lendo tem igual mobilidade, enfim, eu sempre dou um jeito de deixar as coisas um pouco mais com cara de habitadas. Minha mãe já nem reclama tanto, sabe que eu adoro uma boa bagunça e acho a coisa mais aconchegante do mundo.
Espero eu, que quando eu tiver meu simples apartamento em qualquer lugar, eu possa deixá-lo simplesmente do meu jeito: com fotos de quem eu gosto (isso inclui artistas, familiares, amigos, etc), um incenso queimando, um cd do Maroon 5 tocando ao fundo, porque sim, apesar de eu ser uma fã totalmente declarada do rock n'roll, eu os acho maravilhosos. Por isso que eu digo que também poderia ser Guns n'Roses ou Velvet Revolver, mas acho mais aconchegante Maroon 5. Um bom café preto sempre na cafeteira, alguns livros sempre disponíveis, chuva caindo lá fora, minhas coisas bagunçadas por ali. E eu não precisaria de muito mais coisa pra ser feliz.

sábado, 16 de maio de 2009

Ajuda a pagar as contas? Não.

Com a crise mundial, o que se tornou muito comum é vermos pessoas desesperadas por dinheiro para pagar suas contas. Pessoas que só falam em contas, salário, dinheiro e apenas dinheiro, e nada mais importa. Mas eu me pergunto: e para que se preocupar tanto com isso?
Obviamente, o dinheiro é algo muito importante. Sem ele, é impossível nos mantermos. Porém, quando chegamos ao ponto de achar que não devemos assistir ao Jornal Nacional porque já temos um problema grande demais em não termos dinheiro, aí acho que devemos repensar um pouco.
Deixe-me explicar melhor essa história de Jornal Nacional. Eu gosto de assistí-lo, e também qualquer outro telejornal. Sou apaixonada por notícias, e gosto de saber de tudo que se passa no mundo. Pois justamente, ouvi uma pessoa falando que não assistia ao Jornal Nacional porque já tinha problemas suficientes, e que não precisava saber dos problemas "dos outros", que já tinha muito no que pensar só considerando as contas a pagar, e que saber os problemas não pagaria suas própias contas. Eu apenas sorri e balancei a cabeça ao ouvir isso. Que grande pobreza de espírito.
Ora, pois então devemos simplesmente nos importar com aquilo que "paga nossas contas"? Apenas com aquilo que temos como obrigação? Eu acho isso de uma terrível pobreza de espírito e também de uma tremenda falta de cultura. Muitas vezes me perguntam porque eu participo de uma banda marcial, se exige tanto esforço. Me perguntam porque eu leio livros que não são pedidos para o PEIES, porque eu estudo assuntos que não fazem parte do currículo escolar, e portanto, não fazem parte das minhas obrigações. A resposta é extremamente simples: porque eu acredito que é isso que faz a diferença; o que você faz por vontade própia, e não porque simplesmente "paga suas contas", ou na linguagem estudantil "vale nota". Eu não consigo me recordar ao certo onde foi que ouvi que o que você faz a mais é que faz a diferença, e essa frase me abrangeu por completo. Acho que são nessas coisas que estão o nosso prazer, a nossa particularidade e nossa verdadeira dedicação.
Afinal, se você está fazendo algo do que gosta, você naturalmente se dedica mais, pois aquilo tudo lhe dá prazer. E se importar com outras coisas além das contas com o que pagar, também é bom. Se você se fechar, preocupando-se apenas nas contas a pagar e na maneira como conseguir esse dinheiro, isso tudo se tornará um tormento e você se tornará uma pessoa estúpida, frívola e provavelmente insuportável. Nada pior do que conversar com alguém que só sabe dizer o quanto está caro o arroz, ou o quanto a conta de luz subiu. Essas pessoas não se dão por conta que existem problemas muito piores no mundo. Que existem crianças que morrem de fome, que perdem seus pais muito cedo, que têm doenças terríveis e não têm nenhuma condição de tratá-las. Que existem pessoas que tem muito dinheiro, mas não têm amigos verdadeiros, e tampouco algo que lhes faça querer viver. Não se dão por conta que existem pessoas sendo violentadas, morrendo no meio da guerra do tráfico sem ter culpa alguma, pessoas sendo assaltadas, seqüestradas, violentadas das piores formas possíveis. E o dinheiro para pagar as contas evita isso? Não.
É ótimo que haja dinheiro sobrando para pagar as contas e ainda ter lazer ou seja lá o que for. Porém, quando há algum pequeno problema com as contas, as pessoas deveriam pensar algo como : "Bem, pelo menos é um problema de dinheiro, que mesmo que seja um pouco difícil, tem resolução. O pior é se eu estivesse numa situação de doença, ou se tivesse sido violentada. Aí sim os danos poderiam ser irreparáveis". Talvez algumas pessoas chamem isso de conformismo barato, mas eu sinto isso como forma de melhor sobrevivência. E eu aprendi isso tudo com as coisas que não, não me ajudam a pagar as contas, mas me tornam uma pessoa mais humana.