Eu acho ridículo esses jovens que ficam pregando que a fidelidade é a coisa mais importante e que 'matam a vadia/o desgraçado' que chegar perto de seus namorados, mas eles própios traem. Acho ridículo esse culto ao ódio, que diz que as pessoas tem que ter aversão à tudo que não é tradicional, comum. Acho ridículo esses adolescentes que não tem uma ideia própia sequer para defender, e se tivessem, não saberiam como. Acho ridículo o que esses jovens ouvem, essas coisas ridículas que nem dá para chamar de música, como aquelas coisas tipo Fresno e sei lá mais o quê. Acho ridículo que eles se importem mais com um Nike do que com um livro.
Acho ridículo que esses jovens todos se digam bissexuais, simplesmente porque virou modinha. Opção sexual é coisa séria, não besteira da adolescência. Acho ridículo que eles criem álbuns no orkut cheios de fotos forjadamente "espontâneas", que tirem fotos segurando o livro Crepúsculo e se achem cultos por isso. Acho ridículo que eles usem uma camiseta dos Beatles sem sequer ter ouvido uma vez na vida Blackbird.
Acho ridículo que esses adolescentes bebam e fumem só para se aparecer, sem sequer gostar da coisa. Acho ridículo que eles fiquem com um monte de gente nas festas só para contar para os amigos e ficarem achando que são "um arraso". Acho ridículo que eles achem que são cultos por usarem óculos de grau (por opção, ainda por cima).
Acho ridículo essas porcarias de jovens que não tem o mínimo interesse por cultura e arte de verdade. Eu fico triste pela humanidade, que diabos de futuro esperar com esse tipo de gente vindo por aí? Eu é que não quero saber, vou ouvir meu cd do Led Zeppelin e fingir que jamais existi nos anos 2000.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Se for pra ter um Amor
Se for pra ter um amor, que ele seja, no mínimo, sincero.
Que hajam bons momentos que sejam como um segredo apenas dos dois.
Que hajam beijos românticos e beijos cheios de volúpia.
Que se possa conversar sobre os valores da sociedade e o quanto aquela lasanha estava gostosa.
Que possam compartilhar dos mesmos livros, da mesma cama.
Que as mesmas canções toquem seus corações e corpos.
Que os olhares jamais percam o brilho.
Que a intimidade seja natural e totalmente alheia ao tempo de conhecimento mútuo.
Que cada momento à sós seja único.
Que dancem Velvet Underground na cozinha.
Que durmam nus e passem dias na cama.
Que sejam amantes, no sentido mais profundo da palavra.
Que dure uma vida ou uma noite. Que seja intenso, que seja infinto em sua plenitude.
Que hajam bons momentos que sejam como um segredo apenas dos dois.
Que hajam beijos românticos e beijos cheios de volúpia.
Que se possa conversar sobre os valores da sociedade e o quanto aquela lasanha estava gostosa.
Que possam compartilhar dos mesmos livros, da mesma cama.
Que as mesmas canções toquem seus corações e corpos.
Que os olhares jamais percam o brilho.
Que a intimidade seja natural e totalmente alheia ao tempo de conhecimento mútuo.
Que cada momento à sós seja único.
Que dancem Velvet Underground na cozinha.
Que durmam nus e passem dias na cama.
Que sejam amantes, no sentido mais profundo da palavra.
Que dure uma vida ou uma noite. Que seja intenso, que seja infinto em sua plenitude.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Saudades do Renato, Apenas
É algo praticamente unânime: quase todas as pessoas sentem uma certa (ou grande) nostalgia ao lembrar-se de sua infância. Começam a lembrar das brincadeiras, dos amigos, da rua onde moravam, dos programas que assistiam. Mas eu não sinto saudade da minha infância, nem um pouco.
É claro que haviam boas coisas. Mas acho que a única coisa realmente boa é que eu podia ficar por horas olhando nada sem que ninguém viesse me perguntar: o que você está fazendo? Não existia a bendita internet (existir, existia, mas não era popular), as crianças não eram tão vulgares, tão sem vida. Mesmo assim, eu não gostava de tudo aquilo
Eu odiava não poder participar das conversas dos adultos. Odiava não poder dizer o que eu pensava sobre o que eu estava ouvindo, e minha opinião não contar nem um pouquinho. Odiava ter de depender dos outros para quase tudo, mas amava os meus momentos de silêncio.
De fato, a única coisa que eu realmente sinto falta da minha infância era quando, em alguns sábados à tarde, minha mãe colocava o cd do Legião Urbana num volume relativamente alto, e enquanto ela cozinhava algo ou limpava a casa, eu sentava num banco de madeira que havia na lateral da minha casa (que dava para um pequeno terreno que lembrava um belo campo, onde apesar de já haverem construído uma floricultura, ainda há uma frondosa árvore que sempre contemplei, e ainda conserva sua beleza) e eu ficava lá, abraçando os meus joelhos, observando o horizonte enquanto Renato Russo vinha "conversar comigo", como um bom amigo ou conselheiro. E lá eu ficava por horas (podiam ser apenas minutos, mas eu apreciava tanto cada momento que tudo parecia durar mais), apenas observando aquela "paisagem" que eu tanto adorava e absorvendo cada palavra que aquela maravilhosa e amiga voz cantava.
Minha mãe me disse que uma vez eu perguntei para ela se era verdade "que o vento levava tudo embora". Ela ficou surpresa, pois eu tinha cerca de 3 ou 4 anos e ela já não ouvia Legião Urbana há um bom tempo. Ela jamais se esqueceu do quão séria e preocupada eu fiz essas pergunta, com um semblante extremamente meditativo, ainda mais para a minha idade.
Então, quando essas conversas sobre a infância vem, eu só sinto falta da voz do Renato Russo ali, me ensinando a pensar, de certa forma, sempre presente. Era ele quem eu imaginava sempre ao meu lado, e não qualquer personagem. De alguma forma, era como se ele estivesse sempre ao meu lado, me compreendendo como jamais alguém nesse mundo poderia. Eu me lembro da voz dele, sempre em minha mente, e quando lembro da minha infância, o que mais sinto falta é do Renato. Meu amigo Renato, que sempre esteve comigo, e no meu coração, sempre estará.
" E é de ti que não me esquecerei. "
Renato Manfredini Junior, meu eterno companheiro. ♥
É claro que haviam boas coisas. Mas acho que a única coisa realmente boa é que eu podia ficar por horas olhando nada sem que ninguém viesse me perguntar: o que você está fazendo? Não existia a bendita internet (existir, existia, mas não era popular), as crianças não eram tão vulgares, tão sem vida. Mesmo assim, eu não gostava de tudo aquilo
Eu odiava não poder participar das conversas dos adultos. Odiava não poder dizer o que eu pensava sobre o que eu estava ouvindo, e minha opinião não contar nem um pouquinho. Odiava ter de depender dos outros para quase tudo, mas amava os meus momentos de silêncio.
De fato, a única coisa que eu realmente sinto falta da minha infância era quando, em alguns sábados à tarde, minha mãe colocava o cd do Legião Urbana num volume relativamente alto, e enquanto ela cozinhava algo ou limpava a casa, eu sentava num banco de madeira que havia na lateral da minha casa (que dava para um pequeno terreno que lembrava um belo campo, onde apesar de já haverem construído uma floricultura, ainda há uma frondosa árvore que sempre contemplei, e ainda conserva sua beleza) e eu ficava lá, abraçando os meus joelhos, observando o horizonte enquanto Renato Russo vinha "conversar comigo", como um bom amigo ou conselheiro. E lá eu ficava por horas (podiam ser apenas minutos, mas eu apreciava tanto cada momento que tudo parecia durar mais), apenas observando aquela "paisagem" que eu tanto adorava e absorvendo cada palavra que aquela maravilhosa e amiga voz cantava.
Minha mãe me disse que uma vez eu perguntei para ela se era verdade "que o vento levava tudo embora". Ela ficou surpresa, pois eu tinha cerca de 3 ou 4 anos e ela já não ouvia Legião Urbana há um bom tempo. Ela jamais se esqueceu do quão séria e preocupada eu fiz essas pergunta, com um semblante extremamente meditativo, ainda mais para a minha idade.
Então, quando essas conversas sobre a infância vem, eu só sinto falta da voz do Renato Russo ali, me ensinando a pensar, de certa forma, sempre presente. Era ele quem eu imaginava sempre ao meu lado, e não qualquer personagem. De alguma forma, era como se ele estivesse sempre ao meu lado, me compreendendo como jamais alguém nesse mundo poderia. Eu me lembro da voz dele, sempre em minha mente, e quando lembro da minha infância, o que mais sinto falta é do Renato. Meu amigo Renato, que sempre esteve comigo, e no meu coração, sempre estará.
" E é de ti que não me esquecerei. "
Renato Manfredini Junior, meu eterno companheiro. ♥
A Arte de Contemplar
Sempre fui uma criança calada, triste e um tanto taciturna. Não que houvessem grandes motivos para isso; jamais fui mal tratada e tinha tudo que precisava. Mas essa era a minha natureza, e acima de todas os adjetivos antes citados, havia a contemplação. Eu sou uma observadora nata, e isso se mostrou desde meus primeiros anos de vida.
Durante minha infância, por vezes ficava apenas contemplando tudo. A forma como os adultos conversavam, o que diziam, como diziam. Os sorrisos, os olhares, as expressões, os gestos, as roupas, tudo. Ficava em absoluto silêncio, os olhos atentos a cada minúsculo movimento e expressão. Disso, logo criava repulsa ou simpatia pelas pessoas. Mas minha observação não se limitava às pessoas.
Adorava observar os lugares. Fosse uma casa, uma rua, uma escola, fosse o que fosse. Observava todos os objetos ao redor, as janelas, os móveis, tudo. Por vezes imaginava o que se ocultava por trás de uma porta; seria lá o quarto de uma bela menina? Ou talvez um banheiro, uma sala íntima? Quando haviam fotos, observava as pessoas e imaginava como seriam seus nomes, que personalidade teriam, como seriam seus olhares quando tristes ou indiferentes, ou muito alegres. Podia passar horas perdida nos pensamentos que os ambientes me inspiravam.
Por tanto contemplar tudo, acabei por aprender a admirar pequenas coisas e reparar nos detalhes mais simplórios, nem por isso menos valorosos. Se quando era pequena me sentia estranha por ser uma das únicas crianças que por repetidas vezes preferia ficar observando os adultos conversarem à ir brincar, agora me sinto grata por isso. Não existe visão filosófica sem contemplação, e ninguém consegue tornar-se contemplativo, isso é algo com o que já se nasce.
Ainda hoje, a contemplação é um dos meus maiores prazeres. Observar as pessoas, as ruas, os objetos, uma árvore, enfim, isso insipira questionamentos e instiga novas histórias. Por isso, contemplar é uma arte, e os escritores que o digam.
Durante minha infância, por vezes ficava apenas contemplando tudo. A forma como os adultos conversavam, o que diziam, como diziam. Os sorrisos, os olhares, as expressões, os gestos, as roupas, tudo. Ficava em absoluto silêncio, os olhos atentos a cada minúsculo movimento e expressão. Disso, logo criava repulsa ou simpatia pelas pessoas. Mas minha observação não se limitava às pessoas.
Adorava observar os lugares. Fosse uma casa, uma rua, uma escola, fosse o que fosse. Observava todos os objetos ao redor, as janelas, os móveis, tudo. Por vezes imaginava o que se ocultava por trás de uma porta; seria lá o quarto de uma bela menina? Ou talvez um banheiro, uma sala íntima? Quando haviam fotos, observava as pessoas e imaginava como seriam seus nomes, que personalidade teriam, como seriam seus olhares quando tristes ou indiferentes, ou muito alegres. Podia passar horas perdida nos pensamentos que os ambientes me inspiravam.
Por tanto contemplar tudo, acabei por aprender a admirar pequenas coisas e reparar nos detalhes mais simplórios, nem por isso menos valorosos. Se quando era pequena me sentia estranha por ser uma das únicas crianças que por repetidas vezes preferia ficar observando os adultos conversarem à ir brincar, agora me sinto grata por isso. Não existe visão filosófica sem contemplação, e ninguém consegue tornar-se contemplativo, isso é algo com o que já se nasce.
Ainda hoje, a contemplação é um dos meus maiores prazeres. Observar as pessoas, as ruas, os objetos, uma árvore, enfim, isso insipira questionamentos e instiga novas histórias. Por isso, contemplar é uma arte, e os escritores que o digam.
A Vista do Mar
Nesta época do ano, todos desejam ir à praia. Com a chegada do carnaval a coisa ainda aumenta, se é possível. Na mente, as intenções mais comuns: exibir e ver corpos malhados, tomar sol, beber, participar das malditas "pegações e azarações" (dois termos que se tornaram ridículos pelo mau uso), enfim, essas coisas mundanas e banais. Mas quando eu penso em praia, o que eu menos quero é tudo isso.
Para começo de conversa, prefiro mil vezes uma praia deserta ou com poucas pessoas do que essas cheias de gente. Não, para mim a praia não é lugar de socializar, de ficar nessas coisas de "pegação" e etc. Tampouco quero ir à praia nos horários em que todos estão lá, de forma alguma.
O que realmente me encanta na praia é seu protagonista, o mar. Gostaria de poder passar horas sentada sobre uma pedra, abraçando meus joelhos, apenas o observando, em toda sua vastidão, sua beleza, sua fúria e sua calmaria. Não queria gente barulhenta ao redor, se possível, nem gente eu queria. Tampouco queria entrar no mar ou algo assim, é apenas contemplá-lo o que realmente me encanta.
Lembro-me perfeitamente de uma vez quando eu era pequena e fui à praia com meu pai, lá estava eu brincando com ele no mar, quando repentinamente olhei para sua imensidão azul tão tranquila, e olhei para os olhos sempre amigáveis do meu pai: era o mesmo azul, a mesma imensidão. Aquilo me encantou profundamente, ver o quanto o mar estava nos olhos do meu pai, que sempre foi meu herói. Desde então, sempre amei contemplá-lo.
Sempre que penso em alguma coisa realmente tranquila, realmente boa, me imagino exatamente assim; sentada sobre uma pedra, em silêncio, apenas observando o mar e sentindo o vento, velho amigo, a me envolver e confortar. Ninguém está por perto, ninguém mais existe. É como se eu ficasse olhando aquele azul perfeito por horas a fio, pensando em tudo e em todos, por vezes pensando em nada, como se conversasse com alguém muito amado que perdi há anos. Meus pensamentos são lidos pelo mar, que em sua imensidão e quietude, me compreende, me conforta. E isso para mim é uma das coisas que faz a vida boa, mesmo que seja apenas na imaginação, estando na cidade mesmo.
As pessoas banalizaram e vulgarizaram a praia, mas ainda acredito na praia pura de meus sonhos. Na vista profunda e lírica do mar, na contemplação meditativa e absoluta, na compreensão mútua, silenciosa e psicodélica. Então, enquanto os outros continuam indo à praia apenas para festejar sua própia ignorância, eu fico em silêncio, talvez nem mesmo de corpo presente na praia, mas mesmo assim contemplando a infinta beleza do mar, forte e poderoso, que sempre representará aquela paz há muito perdida em mim.
Para começo de conversa, prefiro mil vezes uma praia deserta ou com poucas pessoas do que essas cheias de gente. Não, para mim a praia não é lugar de socializar, de ficar nessas coisas de "pegação" e etc. Tampouco quero ir à praia nos horários em que todos estão lá, de forma alguma.
O que realmente me encanta na praia é seu protagonista, o mar. Gostaria de poder passar horas sentada sobre uma pedra, abraçando meus joelhos, apenas o observando, em toda sua vastidão, sua beleza, sua fúria e sua calmaria. Não queria gente barulhenta ao redor, se possível, nem gente eu queria. Tampouco queria entrar no mar ou algo assim, é apenas contemplá-lo o que realmente me encanta.
Lembro-me perfeitamente de uma vez quando eu era pequena e fui à praia com meu pai, lá estava eu brincando com ele no mar, quando repentinamente olhei para sua imensidão azul tão tranquila, e olhei para os olhos sempre amigáveis do meu pai: era o mesmo azul, a mesma imensidão. Aquilo me encantou profundamente, ver o quanto o mar estava nos olhos do meu pai, que sempre foi meu herói. Desde então, sempre amei contemplá-lo.
Sempre que penso em alguma coisa realmente tranquila, realmente boa, me imagino exatamente assim; sentada sobre uma pedra, em silêncio, apenas observando o mar e sentindo o vento, velho amigo, a me envolver e confortar. Ninguém está por perto, ninguém mais existe. É como se eu ficasse olhando aquele azul perfeito por horas a fio, pensando em tudo e em todos, por vezes pensando em nada, como se conversasse com alguém muito amado que perdi há anos. Meus pensamentos são lidos pelo mar, que em sua imensidão e quietude, me compreende, me conforta. E isso para mim é uma das coisas que faz a vida boa, mesmo que seja apenas na imaginação, estando na cidade mesmo.
As pessoas banalizaram e vulgarizaram a praia, mas ainda acredito na praia pura de meus sonhos. Na vista profunda e lírica do mar, na contemplação meditativa e absoluta, na compreensão mútua, silenciosa e psicodélica. Então, enquanto os outros continuam indo à praia apenas para festejar sua própia ignorância, eu fico em silêncio, talvez nem mesmo de corpo presente na praia, mas mesmo assim contemplando a infinta beleza do mar, forte e poderoso, que sempre representará aquela paz há muito perdida em mim.
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