quinta-feira, 23 de junho de 2011

No Tears


The rain didn't seem to stop, but it was just perfect. London has to be that way, at least for them, or else they did not feel really at home. Now it was all weird, even to touch her hand. That beautiful ring was kind of scary for him, as far as he knew its meaning. They could have always been just friends, but it was weird anyway, just like if they secretly had a hope with each other.


- I remember last year, when Glen met you and told me that he was hopeful that you would be here really soon - he tried to smile, but he only got a strange grimace upon his face. She was so focused on ignore her own feelings that she didn't even notice it.


- You believed him?


- I believed him - he took a deep breath and looked into the Tamisa. They both used to find comforting being on that place, even more when things were strange and/or hard. And now, it was really supposed to be hard, but wasn't. Slowly the embarrassement was evaporating, and suddenly they stared at each other's eyes and started to smile. She still had those "little stars" in her dark brown eyes, and that same old sadness, which he couldn't understand, because it was beautiful somehow, but where did it come from? She has always been able to get almost everything and everyone, and obviously he knew that it wasn't enough for keep someone happy, but she used to be a girl so simple... Back then, at Liverpool, all his memories were about her laughter on the beach, her blowzy ginger hair or her easy smile with little things like her favorite ice cream. She used to live so safe and peacefully with her dad, and they were so close that was impossible to understand how could she go so far as she did - and, in spite of the years away from England had been really hard for her, she was still sweet, in that simple way that he never found in anyone else.


Suddenly, she took his hand and caressed it softly. Relieved, he smiled too and got close to her, whispering:


- You know, that old story... about staying up with you all night, and having a shoulder for you to lean on? - she agreed, with her eyes shining brighter. - Well, it's still up. It's a good deal, actually. You spend the night on my place, we laugh and get drunk and forget...



He stopped as she turned to look into his eyes. Somehow, that random day had become special, even more for the cold rain. His eyes were blue, in the most beautiful way. And maybe -  

domingo, 12 de junho de 2011

Sleeping?

- I’ll never be gone.
- Won’t you? – asked him, suddenly getting close to her in bed. – I thought you already were… You know, ever since you went away for the last time.
-Well, I thought that too but… - she took a deep breath, trying to not look into those shining and hopeful eyes.  – I think I can’t ever leave this land. My family is here, you know. And all of my oldest and dearest friends. And you.
- And me – whispered him, thoughtful. – Is there any chance of we living together…Trying to have a life here? We both love London, and most of times things are easier with our best friends around. Don’t you want me to pick you after work and come singing and driving for you? I didn’t forget all the songs I wrote for you, even more the ones that are “loving”, in your own words.
She smiled but her eyes kept some shadow of sadness, he could easily see.
-          It sounds like a peaceful and amazing dream, but…
-          But what?
-          Do you think it’s really, really possible? – she turned to him, drowning into his eyes deeply as a scared child. Her eyes were shining brighter than ever, and it was easy to feel her intentions. This time, finally, she was there, indeed, not just for a visit. When she was speaking this slowly and low, he always knew she was insecure, needing his embrace. Instead, he caressed her ginger hair softly, almost without touching her, as she loved the most.
-          - It’s the old story: we’ll only know if we try.
-          - You know I want to…
-          - You want to try but you have to let a lot behind for it, right? – she agreed with her head. He took a deep breath, trying to figure out how could them ever find a way of facing her fears.  He holded her strongly against him, trying to believe that it was all they needed. And it really was, somehow. Anyway, they  were meant to be in London, together, under the rain and looking the horizon after a tuff day, or having fun at the Green Park on a holiday – together, after all, because they deserved it. And it was the best Christmas gift ever.

sábado, 11 de junho de 2011

Mikrokosmos XX

    - Vai lendo aí que vou buscar os filmes lá embaixo, ok?
    Ele concordou com a cabeça e pegou o computador dela, começando a ler imediatamente:

    "Essência é uma palavra que só faz sentido contigo. Assim: essência faz sentido quando me olhas de súbito e teus olhos estão cinzentos e brilhantes e dás um sorriso apenas através deles, como eu mesma faço para ti, como fazemos nos amando em silêncio. Roubas o sorriso puro e contente do menininho que foste um dia e que sonhava com os mais belos contos que agora vivemos com espanto e felicidade contida. As estrelas explodem em nossos olhos e através dos anos ainda somos aquelas duas crianças que brincavam na praia levemente atingidas pelas ondas, pelo silêncio profundo e inquestionável do oceano.
     Pergunto-me como diabos conservamos a tal essência que nos faz sorrir com alegria de sonho, com o que jamais pode acontecer e já aconteceu mesmo assim. Pergunto-me se criamos esse amor “maior que a vida”, em tuas próprias palavras, ou se ele nos foi outorgado, inexorável como Merlin dizia ser o destino. Talvez tenhamos decidido que simplesmente podíamos fazer isso e fazemos até hoje, ponto. Sonhamos juntos e ultrapassamos as ondas, o silêncio, o piano e a neve.
    Átomos. Inúmeros átomos em sintonia dessincronizada como uma música surda que viaja do ártico ao antártico cegamente apenas para que o grande amor perdido não se esvaia na frivolidade do mundo, esse mundo vulgar que sempre segue em frente, como se não tivesse história nem cicatrizes. Tão triste um mundo que seguiu em frente. Algo de trágico e irremediável, como a fé perdida ou mesmo a inocência, o amor que não nos toca mais..."

    Ouviu um barulho de passos apressados na escada e logo ela entrou correndo no quarto.
    - Não era esse que...
    Mas parou ao ver a expressão dele. Aquela gravidade, a intensidade mais bela de seus olhos cinzentos absolutamente dentro dela. Calaram-se em beijos, em mais do que isso. Nesses momentos pareciam ser mais do que apenas duas pessoas que viviam juntas, pareciam existir juntas, numa extensão sem emendas... Perdiam-se um no outro e as palavras deixavam de existir, apesar de terem sido elas que os guiaram um para o outro. No escuro. 

Mikrokosmos XIX

    - Meu Deus, o que houve com sua mão?
    Assustada, ela olhou para a própria mão esquerda pensando que estaria, no mínimo, vertendo sangue, mas demorou vários segundos para achar um machucado de menos de 5cm. Caiu na gargalhada com a cara de séria preocupação que ele fazia até ela rir, quando não pôde evitar o riso também.
    - Sabe, você me lembrou de um velhinho que eu conheci esses dias - começou ela, ainda sorrindo. - Ele estava com a mulher dela e se apavorou porque ela se bateu de leve num banco da praça. Você sempre age assim comigo...
    Sem saber ao certo o porquê, ela corou e tentou concentrar-se no prato de comida à sua frente. Às vezes ele lhe causava essa imensurável ternura que quase lhe trazia lágrimas aos olhos - por vezes simplesmente pela forma como a olhava. Sabia que se não fosse por aquele jeito peculiar, por cada frágil gesto dele, não haveria conquistado nada, não haveria crescido.
    Sempre pareceria-lhe um grande mistério como podia ser amada incondicionalmente, ainda mais por alguém tão infinitamente digno de admiração como ele: e no entanto ele sempre estivera ali, de uma forma ou de outra. Lembrava-se do quanto ele a ajudara anos atrás, quando ainda se conheciam pouco, mas ainda assim ele esteve lá para ajudá-la nos dias mais terríveis. A interminável (e inacreditável) beleza, a força e a segurança que ele trouxera para sua vida eram incomparáveis. Não era por acaso que já não imaginava uma vida sem aqueles olhos cinzentos cuidadosa e carinhosamente pousados sobre ela, sem poder correr para ele ao fim do dia ou passar o dia inteiro sem querer sequer sair do quarto para não sair da atmosfera de sonho quase sempre presente por ali.
    - Acho que sei agora mais um dos muitos significados de "ser casado" com alguém - ele interrompeu os pensamentos dela, olhando-a intensamente e coçando o cavanhaque loiro. - Ontem, quando estava vindo para casa começou a chover e o céu ficou de um cinza extremamente raro e perfeito, mas a primeira coisa em que eu pensei é que você não estava lá para apreciar aquela beleza comigo. Para ser sincero, isso tem me acontecido seguidamente... - surpreendido pelas próprias palavras, ele corou e desviou o olhar, repentinamente adquirindo uma respiração pesada. Não era assim que deveria ser, pensou, mas de alguma forma sentia necessidade de dizer-lhe as coisas, fazer com que ela soubesse o quanto era amada e, de fato, os olhos faiscantes depois de ouvir tais palavras pagavam sua timidez.
     Olhou-a novamente, e ao vê-la com os olhos marejados, foi invadido pela mesma felicidade que fez pedir-lhe em casamento. Não queriam acreditar, mas talvez, e só talvez, estivessem seguros agora - e sempre.

Winter's Grass

O vento estava forte, assim como as ondas que em fúria batiam na praia. Mesmo assim ela estava imperturbável, de olhos fechados e braços abertos, parecendo prestes a ter os cabelos e o vestido arrancados pela força daquela tempestuosidade, mesmo sob o sol róseo do entardecer. Agora seus cabelos eram mais arruivados e mais longos, seu corpo mais branco, mesmo que em seus olhos escuros ainda houvesse a mesma profunda lacuna que sempre lhes dera um enigma e uma beleza intrigantes. Permanecia em silêncio, adorando o mar com a mesma pureza e intensidade de quando era criança - mas agora não podia sentí-lo ali, tão próximo o quanto antes, amando-a da mesma forma. O que mais lhe desagradava, porém, era que não a havia perdido apenas para o mar, mas também para um poeta que ele não compreendia bem com que força, mas que a conquistara profundamente, como poucas pessoas já haviam conseguido, e ele próprio conhecia-a bem o suficiente para saber disso.
Aquele homem alto e, de fato, possuidor de uma figura poética com sua pele clara e seus cabelos negros, seus olhos de lobo que ardiam tristes e apaixonados para ela, aquele homem levava-a onde ele simplesmente não podia alcançá-la, onde ela era esposa, onde não havia lugar para mais nada no mundo. Ele sabia que lá havia a neve, os belos e metálicos lagos, o silêncio, o frio, a profundidade e a beleza, um mundo que ele adoraria adentrar, mas fingia não entender bem porque aquela terra a havia roubado, junto com aquele mundo onde ele não cabia. Ou pelo menos acreditava não caber.
Ah, os anos haviam passado rápido. Ela era uma criança quando ele morrera, mas não a havia abandonado nunca, e ambos sabiam disso. Mesmo assim, era incômodo vê-la tendo uma vida inesperada para ele, envolvida em coisas que ele sequer imaginara conhecer, olhando com tanto amor um perfeito estranho como aquele poeta. Mas apesar do espetáculo da praia em sua frente, apesar de pertencer à terra onde havia chegado, seus olhos tornavam-se marejados quando ela olhava para trás. No fundo, nada a havia tirado dele, nem nunca tiraria. Jamais.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Outra Estação

A sineta tocou e, como de costume, todos saíram correndo quase atropelando-a. Não era difícil mesmo: ela era magricela e pequena, só suas perguntas eram grandes. Segurava as alças da mochila e enquanto caminhava observando as copas das árvores, como sempre, pensava com aquela tranquilidade e leve alegria de voltar para casa depois da escola porque sim, ela adorava voltar para casa, mesmo que tivesse amigos na escola e adorasse responder corretamente quando a professora perguntava, mesmo que isso deixasse-a extremamente corada. Talvez sua mãe houvesse preparado algo gostoso para o almoço, talvez fossem à biblioteca de tarde, e isso era tão bom... Quando dobrou para chegar na rua de casa, que era bastante próxima da escola, viu um carro estacionado na frente de sua casa. Sabia bem que podia ser visita para qualquer um dos vizinhos, mas tinha esperanças que fosse em sua casa. Gostava de coisas "diferentes", como passear, receber visitas ou até mesmo ir na padaria por um caminho diferente. Apressou o passo e logo seu coração acelerou: vislumbrou uma roupa branca e cabelos negros...Logo quase adivinhou um sorriso no rosto do seu pai. Pôs-se a correr, balançando a mochila e os cabelos longos e lisos se soltando do rabo-de-cavalo, rindo e quase chorando, sentindo como se não aguentasse mais nenhum milésimo de segundo longe dele mas como se não houvesse velocidade no mundo capaz de levá-la até ele. Quando viu estava no colo dele, abraçando-o fortemente, ouvindo aquela risada gostosa e forte dele. Passou-lhe a mão pela barba espessa, pelo rosto, pelos cabelos, olhou-lhe nos olhos escuros, nos óculos de armação simples, no ar bondoso, na alegria irradiada daquele rosto tão amado. O céu deveria ser algo bem parecido com isso, só que todos os dias, era o que pensava.
Seu pai vinha de Brasília visitá-la quando podia, o que era relativamente raro - mesmo que fosse frequente, para ela parecia haver uma eternidade distanciando cada visita dele. Lembrava-se que desde que tinha três anos seus pais lutavam por sua guarda na justiça, apesar de se tratarem amigavelmente fora dos tribunais. Nenhum cedia nenhum mílimetro, o que não fazia sentido algum para ela, afinal, sua mãe não era exatamente a pessoa mais gentil do mundo. Seu sonho era acordar e dormir sabendo que seu pai estava no quarto ao lado, ou até no mesmo que ela. Raramente ia para Brasília, mas quando ia via seu quarto cuidado com tanto esmero e delicadeza que seus olhos enchiam-se de lágrimas. Sua avó fazia bolinhos ingleses e seu pai lhe mostrava discos e livros antigos, conversava com ela em inglês, levava-a para passear e lhe deixava conversar com seus amigos como gente grande, e dormia tão tarde que nem medo sentia. A única tristeza que sentia nesses dias era ter de voltar para casa, mesmo que seu pai fosse levá-la, afinal, era injusto que houvesse uma existência tão incrível e depois de viver nesse sonho tivesse de voltar para sua escola sem graça, pro cotidiano solitário e absolutamente sem graça que vivia com sua mãe no sul.
Mas naquele dia não estava preocupada com a partida do pai. Almoçaram e, mesmo que estivesse estupidamente feliz, não pôde deixar de perceber que sua mãe parecia haver chorado e havia uma certa tensão no ar. Derrubou molho na camiseta branca do uniforme e sua mãe, ao invés de xingá-la, disse simplesmente "Não tem problema" e mandou-lhe seguir comendo. Geralmente conversavam bastante, mas os três estavam em silêncio, apesar de haver um brilho nos olhos de seu pai, olhos que sua mãe dizia terem sido "copiados" para o seu rosto. Não ousou perguntar nada, mas depois da sobremesa sua mãe saiu da cozinha e seu pai se manifestou simplesmente dizendo: "Não teremos esse fim de semana só para nós", o que deixou-a infinitamente triste por um momento, mas logo ele continuou: "...teremos todos os dias, sempre!".
Não era exatamente algo que ela esperava ouvir. Entendeu no mesmo instante mas olhou-o insegura, incapaz de acreditar em tamanha felicidade. Mas em algum tempo estaria num avião para Brasília, mais contente impossível, acreditando ser a menina mais sortuda do mundo. E tinha razão.

domingo, 5 de junho de 2011

Mikrokosmos XVIII

    - E então, em algum ponto eu vou tentar terminar tudo - disse ela, ainda brincando com os dedos dele, embora sua voz estivesse quase que imperceptivelmente tremendo. - Mas eu preciso pedir que você não me deixe fazer isso. Vai ser um impulso terrível apenas pelo medo de te perder e...
    - Só se você me prometer exatamente o mesmo - disse ele, absolutamente grave, olhando-a nos olhos. - Eu tenho estado equilibrado por muito tempo, muito mais do que o normal, então...
    - É claro que sim - ela disfarçou um suspiro e beijou-lhe o rosto, em seguida fitando o teto em silêncio. Como conseguira dizer aquilo? Sentia-se aliviada agora e, ao mesmo tempo, quase se arrependera no mesmo instante em que pronunciara aquelas palavras. E se ela quisesse de fato acabar com tudo, como seria? Mas ela sabia perfeitamente bem que isso seria apenas um ato impensado e terrível.
    - Tudo bem se eu agir como da vez em que você realmente o fez? - perguntou ele, súbita e timidamente, sem conseguir olhá-la. Custara-lhe muito pronunciar essas palavras, não poderia encarar aqueles olhos penentrantes agora, não onde ele havia se entregado como nunca antes, e ela jamais saberia. - Quero dizer, você compreenderia que eu ainda teria carinho por você e talvez ainda estivesse esperando por você em algum tempo?
    - É... Acredito que sim - o nó em sua garganta era inevitável ao lembrar disso, porém só ela sabia o quanto, naquela época, era-lhe impossível viver no mundo incrível que ele lhe devolvera. Arrependia-se imensamente da dor que lhe causara, os olhos azuis encarando-na dolorosamente brilhantes eram uma lembrança terrível, mas estava além de suas capacidades avançar mais naquele tempo. Seus pensamentos foram abruptamente interrompidos por ele, que quando ela se deu por conta estava deitado sobre ela, não mais ao seu lado, encarando-a com os olhos brilhando dolorosamente outra vez, mas não da mesma forma, não pelas mesmas razões.
    - Mas o que é que eu estou dizendo? - perguntou ele claramente mais para si mesmo do que para ela. - Eu te amo, eu sei disso, nós estamos casados e eu ainda... Ainda...
Ele mordeu o lábio inferior e ela encarava-o, apreensiva e comovidamente. Afastou-lhe uma mecha dos longos cabelos negros que caía e perguntou-lhe suavemente:
    - Ainda o quê, muruseni?
    - Ainda estou completamente apavorado com tudo - e ele não precisou dizer mais nada, em absoluto, para que ela pudesse entendê-lo perfeitamente. Sentia-se assim também, e mesmo que não pudesse traduzir sequer em pensamentos o que sentia, fazia total sentido o que ele dizia, o que seus olhos traduziam. Com uma vaga certeza, outra coisa inexplicável que só ela parecia capaz de sentir, ela repentinamente sabia que enfim eles estavam certos. Como sempre quiseram estar.