sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Nighttime

    Tonight the wind comes from afar... And the night is made of silver light and the sound of the ocean.
    The long hair makes a silent - perfect - caress on the shoulders.
    Perfection has never been this close. We both can feel it.
    Yet, wishing it was all real, is a deeper way to feel, indeed.
    When the tears are silent and stronger than our consciousness
    The child borns silent and slowly once more, still scared
    But the same ocean eyes come, with love and a hand
    Silent promise of heaven
    The little girl is perfect. He touches her face, her long hair
    They're in a dream - in Rivendell
    However, the ocean still comes closer
    The young woman turns out to be a siren - but a good one.
    She sails with him. He pulls her black waters.
    The Phantom and Christine. The Poet and the Mermaid...
    Two angels lost in the tides of lust
    Beneath, the waters offers a eternal shelter.
    Holding hands, they fall into it - symphony and silence
    They dance... And the clock gives its last toll - and dies.

(Written in 01/26/2012 - 11:31 p.m.)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Mikrokosmos XXXVII

    - Está tudo bem? - perguntou ele, fechando a porta atrás de si, olhando-a ainda encantado. Aquele vestido branco não parecia real, simplesmente. Os cabelos dela, presos de forma tão elegante, sua maquiagem leve que lhe realçava os olhos escuros... Ela se virou e sorriu, segurando as luvas longas em uma mão.
    - Está... Está sim - disse ela, aproximando-se e o olhando por um longo momento, segurando as mãos que ele lhe oferecia. Ali o som da festa do casamento era abafado, porém não o suficiente para que não ouvissem quando anunciassem a homenagem que ela preparara secretamente para ele, com a ajuda dos amigos de ambos. Mas naquele momento isso não estava, nem de longe, em seus pensamentos. Apenas observava-o, o quão belo ficava com seus cabelos presos e muito bem arrumados, o quanto aqueles olhos ficavam mais bonitos brilhando alegres daquele jeito, realçados pela maquiagem escura; aquele traje formal que era longo atrás, que parecia ter sido criado para ele, para aquela noite... E finalmente, aquela promessa de passarem o resto da vida juntos, promessa feita em frente a todos os seus amigos e familiares e, mais importante que isso, feita clara e profundamente por dois tímidos como eles, que não tiveram vergonha de prometer na frente de todos, falando num microfone, que se amariam até o fim, como de fato sonhavam fazer, como tanto já haviam se prometido silenciosamente com seus olhares.
    - Esse não é era para ser um dia só de alegria? - perguntou ele, sorrindo e chorando também, limpando as lágrimas dela, abraçando-a fortemente contra si. Ela riu, tentando inutilmente disfarçar a própria emoção, rindo porque ela sabia bem que ele só dissera "alegria" por saber que aquelas eram, de fato, lágrimas de felicidade, que a alegria era um sentimento que nem vulgarmente poderia ser comparado ao que sentiam. De uma forma estranha, ambos sabiam que haviam estado pensando nas mesmas coisas no momento em que ficaram ali em silêncio, de mãos dadas.
    - Eu tenho o direito de chorar - disse ela, depois de beijá-lo por um momento. - Noivas podem chorar a noite toda, ok? É até um dever!
    Ele riu, apertando-lhe as mãos carinhosamente.
    - Isso é sexista. Não é porque eu sou o noivo que não posso chorar também...
    - É claro que pode, a vantagem é que eu posso chorar na frente dos convidados - disse ela, com um sorriso maroto, rindo ainda mais do protesto dele que se perdeu no ar.
    - Agora já foi - ele deu de ombros, resignado, sem conseguir parar de sorrir. - Na verdade, paradoxalmente minhas bochechas estão doendo de tanto sorrir, mas eu não consigo ficar sério por mais de um minuto... Será que isso é grave?
    - Eu tenho certeza que passa, ou pelo menos espero eu - disse ela, massageando-lhe as bochechas de leve. - Também estou com esse probleminha.
    - Você acreditou, em algum momento, que realmente chegaríamos aqui?
    Ela o olhou, pensativa e, depois de um longo momento, sacudiu a cabeça.
    - Não posso nem dizer que acreditei quando entrei na igreja, porque ainda não acredito, e provavelmente vou sonhar que foi um sonho - ela mordeu o lábio inferior, sem conseguir tirar os olhos dele. Como podia alguém ser tão lindo, tão verdadeiro e ainda assim estar casado com ela?
    - Vamos voltar para a festa - disse ele, pegando-a pela mão. - Temos o resto da vida para pensar sobre a realidade disso tudo, por enquanto podemos aproveitar a nossa festa, não acha?
    - Completamente de acordo - disse ela, limpando as lágrimas mais uma vez e respirando fundo. - Agora eu vou ser uma noiva bem educada e não chorar pelo resto da noite.
    - Duvido! - exclamou ele rindo, enquanto ele saíam de mãos dadas para a festa de seu próprio casamento. Ela disse que duvidava que ele não chorasse também e, ainda rindo, meio abraçados, meio que carregando um ao outro, foram saborear cada detalhe, cada luz que preenchia aquela véspera de aniversário. Em poucos minutos, ele completaria 34 anos, todos se abraçariam e ambos sabiam que, pela primeira vez na vida, iriam dormir a manhã de Natal inteira, provavelmente com as bochechas ainda doloridas. E nos momentos mais sombrios, uma única foto daquela noite seria o suficiente para lembrá-los do que realmente eram juntos e sempre seriam. Sempre.
 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Mikrokosmos XXXVI

    - Desculpe-me pelo atraso - disse ela, dando um sorriso constrangido. Antes que ela pudesse se justificar, ele a abraçou e disse:
    - Não tem problemas. Só fiquei um pouco preocupado, achei que você não viria.
    - E perder uma festa sua? Nem pensar - sorriu ela, olhando-o meio constrangida, meio encantada. Ele lhe deu uma cerveja e a levou para dentro, onde depois de cumprimentar todos que conhecia, ela voltou a se reunir a ele.
    - Então... Como andam as coisas?
    - Bem - sorriu ele, encarando sua cerveja. - Muito trabalho, é claro, mas agora chegou a parte boa disso tudo. Haverão inúmeras festas, como é de costume. Até quando você pode ficar? Porque acho que essa semana haverão mais umas duas festas...
    - Até quinta, só. Depois tenho um compromisso com o meu namorado.
    - Ah - houve um silêncio em que ambos ficaram constrangidos, sem saber o que dizer. Ele podia jurar que ela não parecia confortável em mencioná-lo em sua frente, mas isso era apenas uma hipótese. - Chegou a ler alguma das coisas que eu te dei da última vez?
    - Sim - afirmou ela, sorrindo. - E tenho que confessar, sua poesia é simplesmente... perfeita. Não consigo achar outro adjetivo, e olhe que nem tive o tempo que realmente quero ter para dar a devida atenção que tudo que você produz merece - ela ruborizou levemente, e alguém menos atencioso do que ele sequer repararia. - Enfim, sem dúvidas o que eu mais amo é quando você fala sobre os índios...
    - Você não pode estar falando sério - disse ele, subitamente comovido.
    - É claro que estou, por que?
    - Bom, eu geralmente não gosto de nada do que eu produzo - ela ia protestar mas ele fez um gesto com a mão pedindo paciência. - Mas, quando se trata dos índios, até eu realmente gosto. Incrível - ele deu um sorriso tímido, e ela correspondeu, sorrindo mais com os olhos do que com a boca, de um jeito que ele nunca tinha visto em nenhuma outra pessoa - a não ser nele próprio. Mesmo sem dizer nada, ela conseguira convencê-lo de que também achava isso incrível, por mais que não pudesse compreender a extensão que uma simples preferência como essa poderia alcançar um dia. Desde que a conhecera, há dois anos, por alguma razão se encantara por ela, aquela menina de cabelos muito lisos e olhos brilhantes, porém tristes e escuros. Desde então, vinha procurando sinais de que ela era, de fato, digna da imensa ternura que lhe causava. Até então, tudo estava certo, e ela o inspirava, completamente em silêncio, um segredo que ele não compartilhava com absolutamente ninguém, mas que o fazia se perder em pensamentos mais frequentemente do que achava desejável. Entretanto, quando estavam juntos ele se sentia de tal forma que era inútil pensar racionalmente no quão absurdo era deixar-se levar por tais sentimentos. A leveza de seus traços, a voz geralmente baixa e gentil, porém um tanto grave, a paixão pelos livros, o sincero prazer com que ouvia suas canções, fechando os olhos e, ele acreditava que sem perceber, movendo os lábios, recitando sua poesia.
    Depois de conversarem por mais um momento sobre as composições dele, sempre entre tímidos e alegres, acabaram sendo afastados pela multidão da festa, reencontrando outros amigos, sendo levados um do outro pelas pessoas que, assim como ela própria, não percebiam que aquilo era bem mais fantástico do que aparentava ser, ao menos por enquanto. Apesar disso, quando ele estava indo à cozinha com a desculpa de pegar mais bebidas porém, na verdade, apenas procurando por um lugar mais calmo, ele julgou ouvir a voz dela vindo da sala íntima. Estava com a mão na maçaneta quando parou. Não conseguiu abrir depois de ouvir o seu nome.
    - ... eu sei, eu sei! Ele perguntou até quando eu podia ficar, e eu tive que assumir que tinha compromissos com o meu namorado mas, sinceramente? Eu quis ligar para casa e dizer que eu iria ficar aqui. Quis dizer que eu nunca mais ia sair desse país, mas é absurdo. Seria ridículo, quero dizer, eu tenho poucos amigos aqui e, bem, qual é o sentido de se mudar para cá se ele é simplesmente um sonho inatingível?
    - Deixe de ser tão teimosa, pelo amor de Deus! Eu conheço vocês dois, e eu nunca vi ele...
    - Não é questão de ser cabeça dura! - protestou ela, parecendo um pouco magoada. Ele pôde reconhecer a outra voz como sendo a da melhor amiga dela. - Sejamos perfeitamente racionais e duvido você ainda ter argumentos. Ele é um compositor fantástico, é excepcionalmente atraente...
    - Se você diz...
    - É claro que é! Continuando, ele é absolutamente belo, vive do que compõe, é um dos maiores poetas que já existiram e lê em uma semana tudo o que eu já li em toda a minha vida. Sem falar no seu talento incomparável com o piano, nem no fato de que ele é rico e estabilizado na vida enquanto eu mal comecei o ensino médio. Ele tem aqueles olhos cinzentos... Mas deixa para lá. Vê? Nada pode jamais acontecer. Ele é perfeito, eu não sou nada. Deixe-me beber um pouco agora.
    Rapidamente, ele foi para a cozinha antes que ela decidisse sair dali e o visse. Chocado, deixou-se cair pesadamente numa cadeira, esquecendo-se completamente do que ia fazer inicialmente. Então era isso? Quão bêbado ele estava para ter ouvido tais coisas? Na verdade, nem um pouco. Havia bebido poucas cervejas, nem de longe o suficiente para embebedá-lo. Ainda assim, não fazia sentido. Ele e a pessoa que ela havia descrito simplesmente não eram a mesma pessoa. Contudo, se ela realmente se sentia assim... Mas não, não podia ser. Tudo ia além do imaginário, então deveria permanecer no nível dos devaneios. Mesmo assim, seu coração batia acelerado e ele não conseguia se acalmar, agitado e ansioso. A voz dela soara triste, resignada, e não havia nada que ele pudesse fazer, não enquanto ela tinha um namorado, não enquanto ele não tinha certeza se aquilo não era um sonho. Seu irmão entrou na cozinha, comentou brevemente que era um milagre que ele não estivesse perto dela, mas por sorte não percebeu seu estado de perturbação.
    - Ei, você está aqui - disse ela baixinho, surgindo na porta, um pouco hesitante, como se esperasse permissão para entrar. Sorria-lhe, parecendo triste, na voz um pouco da tristeza que ele julgara ter ouvido ainda ressoando ao longe. Ele fez um gesto para que ela viesse sentar ao seu lado, o que ela fez, e ficou em silêncio por momento, olhando para sua cerveja, cutucando o rótulo.
    Ela estava tão perto. Simplesmente... ali. Por um momento ele levantou a mão para tocar seus cabelos que caíam lisos e muito longos, escondendo parcialmente seu rosto dele, porém o gesto se perdeu no ar, um rubor intenso corando-lhe as faces, sua timidez grande demais para deixar que qualquer coisa fosse tornada real.
    - Nós deveríamos voltar para a festa - comentou ela, ainda sem olhá-lo, num tom que sugeria que não acreditava realmente no que dizia. Ele não respondeu, apenas procurou um cigarro e tentou encontrar o que dizer, mas simplesmente não sabia.
    - Talvez pudéssemos ir até o lago - sugeriu ele.
    Ela concordou e eles saíram, evitando se olhar. Ele não compreendia bem porque ela estava subitamente tão tímida, se nem sonhava que ele ouvira sua confissão. Quando estavam saindo para a noite fresca, porém, foram impedidos por seus amigos que queriam que eles participassem de um jogo qualquer, que eles aceitaram, num acordo tácito que isso seria infinitamente mais fácil, pelo menos naquele momento. Divertiram-se, de fato; ainda assim, alguns olhares se perdiam, e apesar de sorrirem quando seus olhares se encontravam, havia algo de diferente, algo que ia além do que queriam admitir para si próprios. E pela manhã, ela estava no outro lado do oceano outra vez.

Mikrokosmos XXXV

    Não deveria ser nem 10 da manhã ainda, mas ela acordou completamente desperta. O quarto estava fracamente iluminado e ela estava sozinha. Mexeu-se preguiçosamente para olhar as horas, o relógio marcava 08:34 a.m.; era surpreendentemente cedo porém, apesar de deitar no lugar dele e tentar dormir outra vez, estava muito acordada. Ao longe, dentro de casa, podia ouvir o piano sendo tocado, uma de suas sinfonias favoritas sendo cuidadosa e talentosamente executada. Sorriu para si mesma, não havia melhor forma de acordar. Preguiçosamente, abriu as cortinas da janela ao lado da cama e olhou lá fora. A neve cobria o pátio e o lago permanecia congelado. Era uma manhã cinzenta e aparentemente muito fria, o céu de aço. Exatamente como ela gostava.
    Depois de passar um tempo ainda deitada, apenas ouvindo a música intensa e bela que chegava aos seus ouvidos, ela se levantou para ir ouvir de perto. Entrou vagarosamente na sala, sem fazer nenhum ruído, apenas para observá-lo. A claridade matinal, ainda que pouca, era o suficiente para iluminar-lhe o rosto enquanto ele executava com visível prazer aquela canção. O piano parecia ser uma continuação dele, de sua música, e em puro deleite, ela ficou a contemplá-lo em silêncio, ora a se perder na música, ora a se perder na visão de alguém tão amado.
    Ao acabar de tocar, ele se virou para ela, só sentindo sua presença depois de tocar a última nota. Olhou-a longamente; queria dizer-lhe tantas coisas, gostaria tanto de poder lhe demonstrar tudo, mas as palavras simplesmente se perdiam no indizível. Como mostrar-lhe sua própria inocência, sua capacidade de fazer com que ele acreditasse outra vez na vida? Mais, muito mais do que isso, como dizer-lhe o quanto temia perdê-la, como era inacreditável que tudo fosse realidade? Um súbito desespero causado por uma profunda ternura tomou conta dele, lembrando-se que aqueles olhos castanhos ainda mantinham a mesma pureza de anos atrás, que ainda eram capazes de amá-lo e compreendê-lo como jamais outra pessoa fizera.
    - Minha criança, minha... -  ele falou sem perceber, passando as mãos pelos cabelos macios que tão proibidos já lhe pareceram, tão inatingíveis quanto o oceano profundo. Ela o olhava apreensiva, como se quisesse entender e arrancar a sua dor, como de fato desejava. Eram nesses momentos que ele desejava ser como qualquer outra pessoa; desejava não ser poeta, não ver e muito menos procurar a beleza, desejava achar absurdo que mesmo sendo dezessete anos mais velho do que ela, houvesse casado e a amasse profundamente como jamais pudera amar alguém de sua idade, desejava que aquele rosto de criança não mexesse com o que havia de mais profundo nele, mas no fundo simplesmente desejava fechar a porta e tê-la, perder-se em seus cabelos longos, sua pele clara e seus seios pequenos, fazer o piano reclamar respeito e ser incapaz de perceber.
    Com um rubor tomando seu rosto muito branco, ele a beijou intensamente, pegando-a no colo e a tocando com toda a volúpia que pulsava em seu corpo, esquecendo-se de tudo o que não fosse aquela pele. Sendo dela.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

The Dove Part II

    - E então, o que eu faço agora?
    - Nada.
    - Nada? - ela se apoiou num cotovelo para poder olhá-lo. Ele a encarou, os olhos muito azuis tranquilos, como se confirmassem sua resposta. - Por que?
    - Porque tentar arrumar as coisas só vai piorar tudo - disse ele, fazendo-a se deitar em seu braço outra vez, e ela colocou um braço sobre a barriga dele, fechando os olhos para ouví-lo. Não adiantava se preocupar, não é mesmo? Então ela podia ficar ali, simplesmente, deitada confortavelmente, segura naquele quarto que ela tanto adorava. - Para consertar os seus erros, você vai ter de cometer outros, então nada valerá a pena. Magoar mais pessoas para reparar o que já fez para outras? Isso não está certo. Você tem que se conformar que existem erros irreparáveis, e você cometeu alguns desses aí, mas isso também passa, acredite.
    Ele tinha razão sobre tudo, como quase sempre. Ela teria que magoar ainda mais pessoas, só para "consertar" seus próprios erros, o que na verdade não consertaria nada e só serviria para que ela se sentisse melhor consigo mesma, mas a que custo? Havia sido ela quem errara, e conviver com as consequências de seus erros era o mínimo que ela poderia fazer, e tinha de aprender a fazer isso.
    - Você é mais maduro do que parece - comentou ela, sorrindo. - Obrigada. Vou fazer exatamente... nada.
    - Sério?
    - Sério.
    - Na verdade, acho que tem uma coisa que você pode fazer.
    - O quê? - perguntou ela, interessada.
    - Você poderia ir até a cozinha, tem uma lata cheinha de chantilly, então você...
    Ela riu, dando-lhe um beijo rápido.
    - Eu deveria ter adivinhado - disse ela, levantando-se. - Tudo bem. Hoje é a última vez, não é mesmo? Então você terá tudo o que quiser.
    - Incluindo irmos para a banheira? - perguntou ele, esperançoso, os longos cabelos loiros caindo sobre o rosto. Ela se voltou para ele outra vez, ajeitou-lhe os cabelos e depois de beijá-lo longamente, concordou. Sim, ele teria tudo o que queria, e ele merecia ter tudo o que quisesse sempre. Era o melhor amigo que ela poderia ter, e sempre soubera ser melhor do que qualquer outra pessoa com ela. Queria dizer que o amava, que queria fugir com ele para a Lapponia, mas sabia que agora, finalmente, tinha de ser responsável por seus atos, tinha que merecer as pessoas que a amavam, e tratá-las com o devido carinho, a devida fidelidade. Uma última tarde de irresponsabilidade e prazer e então, era tempo de ser uma mulher de verdade. Uma mulher que merecia o homem que a chamava de esposa.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Sober

     - So, I'm a cheater - she said, very bravely. - I'm a selfish cheater, and I can't expect you to be a good man for me, as I can't be, myself, a good woman. I know you've been...
    - I never though about you like that, but it's true - he took a deep breath, passing his hands through his ginger long hair. - You cheated on me, left me, and I acted like a fool, trying to be the best man in the world to have you back. I can't understand how did you get me to do this, but you did, somehow. But I don't believe that my foolish behavior shows me that I love you truly.
    - I know that - she still couldn't look at him. - I'm aware that someone making us change isn't always a proof of true love. And the truth is that... I don't really know if I believe you when you say that you changed for me, for having me back. Because I've been telling you for years what I though you...
    - I didn't know you were right until I start to do these things - he took a cigarette, giving one to her too. They both started to smoke, avoiding eye contact, hearts beating fast, both not believing that they were finally having this conversation. This was what they had been keeping to themselves for several years, and they couldn't miss the opportunity to bring these things to the surface. - When I got back to my job, when I started to stay sober, my life changed, and suddenly I really had a reason to live.
    - Which was...?
    - Getting better. Being a better person, showing you this, eventually having you back, having a better life, a life I always dreamed about, maybe finally have our children... But you keep on slipping away. I'm growing weaker and weaker, my dear. Every single day I have to remind myself a reason to keep fighting, a reason to not go back to the easy life I had before, the life in which I lost you. I'm about to complete fifty years. Fifty! Yet, I'm not giving up on reconstructing my life, even though I'm not sure anymore that it's about you, I must be honest.
    - You're right about it.
    - About what? - he leaned back at the window, looking outside to the great pool on the grass.
    - About it all... Your life... Your life not being about me anymore. You're absolutely right.
    - Why?
    - Because it's time, I guess.
    - If it's time, why are you still using the ring?
    - I just... just love it, it's green and lovely. I'd never find another one like this. And after all, you use yours too. I can see it, even though you hide it by putting bigger rings above it.
    - I may use it - said him, sharply. - I've been fighting for us, never backing down until today. Now I just don't know anymore. You don't even look at me.
    - I can't, I just... can't - said her very low, barely breathing. - I guess, well, I guess I don't love you anymore.
    A huge silence fell upon them. Now that she had said it out loud, the pain was unbearable in both of them. She was breathless, he was stunned. He could have expected anything but this, not from her, not in their bedroom, not where they were so deeply bound that they actually believed that nothing could separate them. What was the use of all the years together, so? If things were supposed to be like this, why all the struggle, all the suffering, all the time wasted in efforts to avoid the awful perspective of a life separate? She was throwing his own life away, that was all he could think and feel. His little girl, his beautiful and unexpected wife, the one he could ever hurt, the only one he always believed that worth fighting for, was being his destroyer.
    - It took me a lot to stay away from you, to stay... sober. It wasn't easy to live across the ocean, facing my troubles, trying to make things right...
    - Hurting someone else to get on with your life, as always! - yelled him, furious. - Why can't you just be strong? Why do you have to let people down, ALWAYS AND ALWAYS DESTROY SOMEONE? I KNOW YOU MORE THAN ANYONE, YOU... YOU...
    He had took her by the hair, holding her face strongly close to his own.
    - NOW YOU LOOK AT ME BITCH, LOOK ME IN THE EYES, OR ARE YOU SO FUCKING COWARD THAT YOU CAN'T DO THIS?
    She finally looked at him, without fear. And suddenly she wanted to just... just die. She could not bear to look at his eyes, his amazing blue eyes, and not feel the wild passion she always felt for him. It was a unpredictable and completely unbearable despair. She never thought of a life without him, and suddenly she had it, and suddenly she just didn't need him anymore, and she left him. He was completely right, she was a coward bitch, she used him and, while she was young and still had a long life ahead, she was leaving him with a destructed life while he was about to complete fifty years. It was unfair, dirty, wrong and unexplainable. For a long time, she kept staring into his eyes and -

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mikrokosmos XXXIV

        Ela estava sentada em silêncio perto da janela, curvada, parecendo muito concentrada em suas próprias mãos. Os cabelos caíam-lhe lisos pelos ombros, quase escondendo-a dele, cobrindo a alça de sua regata preta. A neve caía incessantemente há horas, e ele havia estado tão concentrado na música que nem percebera ela entrar. Aproximou-se devagar, cuidadoso, e colocou uma mão amigavelmente em seu ombro esquerdo. Depois de um momento ela segurou a mão dele, acariciando-a, mas sem se mover. A maioria das pessoas acharia que algo de ruim estava acontencendo e ficaria preocupada com a quietude dela, desejaria de qualquer forma arrancar uma palavra dela ou mesmo um sorriso, mas ele não. Ele não fazia isso - e essa era uma das razões pelas quais ela jamais queria sair dali. Só ele parecia ser capaz de compreender a amplitude do silêncio, as coisas maravilhosas que podem nascer de pensamentos e tempos difíceis. Aproveitando que ele não podia vê-la, ela se permitiu chorar silenciosamente, sentindo-se aliviada pela primeira vez em semanas.
        Mais do que nunca, naquele momento o respeito e o silêncio dele eram convenientes. Porque naquela noite, depois de cansar de tentar fugir dos próprios pensamentos, ela simplesmente ficara quieta por um momento, deixando que tudo fluísse. Vinha se mantendo ocupada há muito tempo com qualquer coisa que não a permitisse "perder" tempo pensando em si própria, em seus sentimentos. Porém, como era de se esperar de alguém como ela, isso só piorou tudo, e logo ela não podia suportar tanto sufocamento. E tudo isso era causado apenas e unicamente por um sentimento: a culpa. Inexplicavelmente, sentia-se culpada por estar ali, por tê-lo, por ainda estarem juntos e ainda se amarem depois de tanto tempo. Percebia claramente agora que, apesar de sempre ter desejado algo tão bom, jamais pensou que algo assim pudesse durar, e então era como se ela estivesse quebrando alguma regra imaginária, algum limite de tempo do quanto duas pessoas podem estar verdadeiramente juntas. Talvez, não fosse pela beleza dele, por tudo que ele significava para ela, fosse mais fácil aceitar tudo dando tão certo. Entretanto, mesmo depois de tanto tempo juntos, ele ainda era o sonho, o inimaginável, o que ia além de tudo que ela jamais quisera. Contrariando todas as expectativas, ela se sentia casada com ele, com tudo que isso implica, e isso lhe dava uma paz inexplicável - e que, por isso mesmo, parecia ter de acabar. 
        Sem saber como fazer, apenas sentindo que tinha de ir embora mas que simplesmente não podia fazer isso, ela se levantou, olhando-o por um longo tempo. Pôde ver a preocupação nos olhos dele ao vê-la de verdade e, depois de ficar um longo tempo apenas a olhá-lo, inquieta como se tudo doesse ao mesmo tempo, ela pensou, sem perceber que dizia de verdade:
        - Eu te amo tanto, tanto - e ele soube que ela era dele. Soube que, acontecesse o que acontecesse, aquilo nunca mudaria, não quando o atingia daquela forma, não quando ele podia vê-la inteiramente. Ele a abraçou fortemente, deixando que tudo se acalmasse e se aprofundasse, sem jamais se perder, por mais que eles desejassem às vezes. A flauta tocava em sua mente, e ele podia quase adivinhá-la dizendo depois, quando estivesse mais calma "let's slumber in peace, cease the pain", e ele assentiria, porque sabia que isso seria a melhor coisa a fazer, a única coisa a fazer. Enquanto o futuro ainda era belo demais para ser verdadeiro.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Escuridão


- Aleen?

Ela se virou no mesmo instante, um grande sorriso se formando no rosto redondo ao vê-lo. Mesmo sabendo que iria deixá-la envergonhada, ele atravessou a sala e a abraçou. Entre tímida e alegre, ela o abraçou forte, sorrindo contente.

- Como você está? - perguntou ela, olhando-o demorada e carinhosamente. - Faz tanto tempo!

- Estou bem, e você? Faz quase um mês que não nos vemos.

- Bem também - ela se sentou num dos sofás da recepção, sem precisar convidá-lo a acompanhá-la. Por um momento, ficaram apenas se olhando, sorrindo, meio sem saber o que dizer. Sem querer, ele perguntou brusca mas amistosamente:

- Quando você volta para Amstelveen?

Ela o olhou, pensativa. Ele tentara soar seguro, mas seus gestos o traíam. Depois de pensar por um momento, ela respondeu:

- Em breve, eu suponho. Estarei em seu grande evento, obviamente...

- Mesmo? - ele deu aquele seu sorriso de criança, e ela confirmou, subitamente alegre por tê-lo por perto.

-... mas não para ficar. Você sabe, tenho muito que fazer, e não tenho certeza que conseguiria na Holanda.

Ele queria argumentar, mas isso lhe parecia desnecessário e um pouco irritante também, como se ele a perseguisse e ela não se importasse com ele, de fato. Ele sabia que as coisas não eram assim, porém se sentia assim cada vez que tentava convencê-la a morar perto dele. Permaneceu em silêncio, adivinhando que ela tinha muito a falar e, como sempre, acertando.

- As coisas estão prestes a mudar, e eu sinto que isso pode ser bom e definitivo, até. Quero tirar o máximo proveito disso, principalmente depois de tantas lutas fracassadas no último ano. Há muita coisa nova por vir, muita coisa nova já se mostrando, e eu acho isso tudo fantástico...

- Então você precisa de algo familiar e seguro para poder aproveitar isso totalmente, certo? Um solo firme, talvez?

Ela assentiu, olhando-o agradecida e intrigada pela sua clarividência sobre ela. Havia algo incompreensível nesse entendimento, e algo ainda mais incompreensível no carinho e na preocupação que Karel sentia por ela. Apesar de se conhecerem relativamente bem e há algum tempo já, não era o suficiente para que houvesse esse tipo de cuidado. Ele sempre fora indecifrável para ela em alguns aspectos, por maior que fosse o esforço que ele fazia para se tornar límpido.

- Está vendo aquela mulher? - Aleen indicou uma mulher morena e realmente bonita, conversando gentilmente com uma funcionária. Ele assentiu, olhando-a e se lembrando vagamente de já ter visto fotos dela com Aleen. - Ela é minha melhor amiga, e tem sido tudo o que eu preciso desde que eu era muito, mas muito nova mesmo. E pela primeira vez, acho que nós realmente vamos nos juntar para tentar sermos o melhor que podemos ser. Ela é muito mais madura e incrível do que jamais admitiria. Tenho muito o que aprender com ela, Karel. Acho que as coisas...

- Quando você vai aprender que não precisa mudar? -subitamente, ele estava quase irritado. Compreendia a ânsia por desenvolvimento (afinal, ele próprio a possuía), mas jamais considerara que Aleen precisasse disso, não importa o quão imperfeita ela pudesse ser - e talvez, justamente, desistir um pouco, poderia ser um avanço para ela. Sentia-se tenso, triste e subitamente desolado, apesar de seus exaustivos esforços para dominar seus sentimentos. A vida podia ser tão simples, bonita e boa! Por que diabos Aleen tinha que sempre estar tão mergulhada em coisas que ele não podia compreender? Lembrou-se com raiva do último dia em que haviam se visto, estavam fazendo uma caminhada por Helsinki e, todo suado, ele fora abraçá-la, dizendo que ela não podia estar com nojo porque estava suada também. Ela fez uma careta, riu e o abraçou, mas quando estavam se afastando, por alguma razão, ficaram por um longo tempo se olhando, e já adivinhando o que poderia acontecer, Aleen se afastou, subitamente com fôlego para correr. Por que evitar o que poderia ser fantástico? Por que...?

- Eu preciso de tempo, Karel. Muito tempo -disse ela gentilmente, ignorando o tom agressivo dele e o semblante carregado.- Como você mesmo me diz, temos de ter paciência... Nada pode mudar da noite para o dia, e nós sabemos o quanto pode ser demorado para que as coisas sejam acertadas. Por favor, compreenda Karel, eu verdadeiramente me importo com você, mas ainda há muito... Muito...

Antes que ela encontrasse a palavra certa, ele a abraçou fortemente outra vez, emocionado. Queria que ela tivesse coragem, queria que tudo mudasse, queria vê-la melhor, e se isso significava distância, ele não se importaria, afinal, sabia que logo se reencontrariam, tinha certeza disso. Depois de soltá-la, deu carona para ela e para sua amiga, conversou tranquilamente e riu, como se nada houvesse acontecido. Entretanto, o olhar que deu para Aleen ao se despedirem foi o suficiente para que ambos sentissem que não podiam controlar o futuro plenamente, e que se resignariam a esse fato. Trocaram um último sorriso cúmplice e ela entrou no prédio, sem olhar para trás, sem nunca ouvir o "até a próxima vez" que ele murmurou, mais calmo - e muito mais esperançoso.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Choosing Life


As Grace had judged Dogville, she needed to no longer forgive the people around her. Those conversations were too much for her, and she couldn’t breathe as the hours passed by and everything was slowly disappearing: her songs, her poetry, her amazing books… And all of this for people who said that they care about her, but they only really care about what her silence could cause on each of them. If she could only smoke a cigarette…! However, she should just shut all her wishes and true desires. She closed her eyes, imagining herself walking through London’s streets, very quickly at first, but slowing down…. The Green Park peacefully wet from a little rain, a piano being played by someone in somewhere, an ash falling from a cigarette as the hours and the words were vanishing away...
The smell of the library. The tast of coffee and cigarettes in her beautiful mouth. The silence within, the rare happiness from the loneliness. She dreamed about it all, while others just kept thinking and talking about their dinner or the new car they wanted to buy. How trivial their lives could be! And, yet, she could not hate and/or blame them for this, and that was her great defect. They had their eyes wide shut, while she would rather die than live blindly. No one could understand that she was not made for this; this meaningless and shallow life in which all that matters the most are the relationships, the purchased things and the fun that people could share. She needed much more than that: she needed a true reason to live, a struggle deeper than the night, she had to live with her own death and deepest life in each day, or else she was just a shadow of herself. But whoever could understand such things?
After all, what matters the most is that she can’t choose life, at least not in the way they know it, the way they live. Her tears were dry, but she wanted them back, and she would have them, for her own sake. It was enough of everything, she needed herself, her grey soul, because she knew, deep inside, that it was real and way more truthful than the others could ever dream to see. But she could.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mikrokosmos XXXIII

Aparentemente muito exaltada, ela caminhava de um lado para o outro sobre a grama, os cabelos muito lisos escapando suavemente de uma trança quase desfeita, os ombros e os seios fragilmente expostos pela abertura do vestido branco, tão simples mas de tamanha beleza que ele não a faria trocá-lo por nenhum outro. Havia algo de muito indefeso e delicado naqueles ombros, naqueles seios pequenos e muito brancos arfando suavemente com a sua respiração. Ele a observava intrigado; não podia compreender o que estava acontecendo. Ela acariciava as próprias mãos e mexia nas unhas, curtas e limpas, ainda assim parecendo um pouco grandes. Há quanto tempo não a via em trajes tão simples, tão delicada, tão despida? Quase podia perceber os cenários se transmutarem rapidamente nos pensamentos dela, as ondas se transformando na brisa sobre a grama e a luz dourada, as ruas de Londres... O piano, ah sim, o piano e o violino, como sempre em perfeita harmonia, mesmo quando mais opostos impossível. 
Ele se aproximou dela, que finalmente o percebeu. Levantou o rosto e isso foi o suficiente; mesmo que ela jamais falasse outra vez ele ainda assim saberia que tudo havia mudado. As íris avermelhadas pelo choro (como, aliás, só ela parecia capaz de obter), o rosto muito nu, os cabelos mais claros, mais esvoaçantes...
- Eu talvez esteja grávida - disse ela, baixinho, a voz embargada. - Grá... vida. Uma criança. Uma vida.
Ele ficou a olhá-la, sem saber o que dizer. Ela não acariciava a barriga, apenas olhava ora para o chão, ora para uma grande árvore que se encontrava ali adiante. Mexia no vestido de algodão, e na cabeça dele os lábios dela ainda se moviam, sempre naquele avermelhado, as palavras ainda saíam daquela boca que lhe pertencia tanto... Poderia tocá-la? Os acordes que emanavam dela eram incríveis, eram o que ele nunca pudera compreender e, exatamente por isso, o que mais o fascinara. Ficou, como um menininho, a olhar sua orelha, a pequena argola de prata, os cabelos repousando atrás dela, logo a bochecha sardenta e avermelhada, o nariz triangular... Quem era ela? As cores pareciam vívidas demais, e tudo intocável, perfeito, feito para ser olhado de longe, intocado, belo. Ela fechou os olhos, e duas grossas lágrimas desceram pelo seu rosto; uma delas desceu lenta e cuidadosamente pelo seu seio esquerdo, e ele não podia parar de olhá-la, simplesmente não podia...
O mar se apresentava rítmico em frente. Ela, num gesto despercebido, repousou em seu ombro, e o choque da realidade fez com que ele se arrepiasse. Passou a mão pelo seu rosto, afastando uma mecha de cabelo que lhe caía sobre os olhos. Ela o beijou, acusando-o por sua beleza. E o momento, em alguma parte, acabou.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Mess... age


Silence is such a rare and unappreciated thing... Even when the city stops, our minds don’t, and it’s almost impossible to feel the silence, which should be something usual in our lives. People talk way too much, criticising the others, showing their “superiority”, when we’re all equally strong and weak; the only difference is where the weakness and the strenght shows for each one. Karel’s voice saying that life can be so beautiful sometimes is a torment for me, because I can’t find a way of being such a strong and brave person as he is. I keep on thinking about his amazing smile, his good mood, his fantastic inteligence, and ask myself if I could ever be 10% of everything of good that he is. I know that no one can be like other person, but he’s such a good example that I can’t avoid to take into consideration to use his as an inspiration, no matter how hard it can be for me. I wish I could be always near him, ‘cause I know how much he is good for me, but life isn’t that easy. Reality keeps on pushing me away from everything I truly wish to be, and I lose myself for things so meaningless that I get embarassed just of remembering this. Where is the strenght, when we need it the most? These are scaring times, which can be the prelude of the best or the worst. Where is the courage, and the certainty? Ok, there is no certainty for anyone, just strong feelings – yet, where are they? I can’t understand anything.
I remember her drowning. It was a rainy day, and there was an accident very close to the waters. She falleth and just... stopped swimming. I cried without stopping for hours, but here she is, years after, stronger than ever.
I know that outside things can’t change people, most of the times. The changing has to come from the inside, and I truly hope we never lose that skill. I know there is a chance to survive, and more than that, a chance to live, but there’s a lot to be done before anyone reaches that point. And, hopefully, I’ll reach that. With Karel.