segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

The Dove Part II

    - E então, o que eu faço agora?
    - Nada.
    - Nada? - ela se apoiou num cotovelo para poder olhá-lo. Ele a encarou, os olhos muito azuis tranquilos, como se confirmassem sua resposta. - Por que?
    - Porque tentar arrumar as coisas só vai piorar tudo - disse ele, fazendo-a se deitar em seu braço outra vez, e ela colocou um braço sobre a barriga dele, fechando os olhos para ouví-lo. Não adiantava se preocupar, não é mesmo? Então ela podia ficar ali, simplesmente, deitada confortavelmente, segura naquele quarto que ela tanto adorava. - Para consertar os seus erros, você vai ter de cometer outros, então nada valerá a pena. Magoar mais pessoas para reparar o que já fez para outras? Isso não está certo. Você tem que se conformar que existem erros irreparáveis, e você cometeu alguns desses aí, mas isso também passa, acredite.
    Ele tinha razão sobre tudo, como quase sempre. Ela teria que magoar ainda mais pessoas, só para "consertar" seus próprios erros, o que na verdade não consertaria nada e só serviria para que ela se sentisse melhor consigo mesma, mas a que custo? Havia sido ela quem errara, e conviver com as consequências de seus erros era o mínimo que ela poderia fazer, e tinha de aprender a fazer isso.
    - Você é mais maduro do que parece - comentou ela, sorrindo. - Obrigada. Vou fazer exatamente... nada.
    - Sério?
    - Sério.
    - Na verdade, acho que tem uma coisa que você pode fazer.
    - O quê? - perguntou ela, interessada.
    - Você poderia ir até a cozinha, tem uma lata cheinha de chantilly, então você...
    Ela riu, dando-lhe um beijo rápido.
    - Eu deveria ter adivinhado - disse ela, levantando-se. - Tudo bem. Hoje é a última vez, não é mesmo? Então você terá tudo o que quiser.
    - Incluindo irmos para a banheira? - perguntou ele, esperançoso, os longos cabelos loiros caindo sobre o rosto. Ela se voltou para ele outra vez, ajeitou-lhe os cabelos e depois de beijá-lo longamente, concordou. Sim, ele teria tudo o que queria, e ele merecia ter tudo o que quisesse sempre. Era o melhor amigo que ela poderia ter, e sempre soubera ser melhor do que qualquer outra pessoa com ela. Queria dizer que o amava, que queria fugir com ele para a Lapponia, mas sabia que agora, finalmente, tinha de ser responsável por seus atos, tinha que merecer as pessoas que a amavam, e tratá-las com o devido carinho, a devida fidelidade. Uma última tarde de irresponsabilidade e prazer e então, era tempo de ser uma mulher de verdade. Uma mulher que merecia o homem que a chamava de esposa.

Nenhum comentário: