- Está tudo bem? - perguntou ele, fechando a porta atrás de si, olhando-a ainda encantado. Aquele vestido branco não parecia real, simplesmente. Os cabelos dela, presos de forma tão elegante, sua maquiagem leve que lhe realçava os olhos escuros... Ela se virou e sorriu, segurando as luvas longas em uma mão.
- Está... Está sim - disse ela, aproximando-se e o olhando por um longo momento, segurando as mãos que ele lhe oferecia. Ali o som da festa do casamento era abafado, porém não o suficiente para que não ouvissem quando anunciassem a homenagem que ela preparara secretamente para ele, com a ajuda dos amigos de ambos. Mas naquele momento isso não estava, nem de longe, em seus pensamentos. Apenas observava-o, o quão belo ficava com seus cabelos presos e muito bem arrumados, o quanto aqueles olhos ficavam mais bonitos brilhando alegres daquele jeito, realçados pela maquiagem escura; aquele traje formal que era longo atrás, que parecia ter sido criado para ele, para aquela noite... E finalmente, aquela promessa de passarem o resto da vida juntos, promessa feita em frente a todos os seus amigos e familiares e, mais importante que isso, feita clara e profundamente por dois tímidos como eles, que não tiveram vergonha de prometer na frente de todos, falando num microfone, que se amariam até o fim, como de fato sonhavam fazer, como tanto já haviam se prometido silenciosamente com seus olhares.
- Esse não é era para ser um dia só de alegria? - perguntou ele, sorrindo e chorando também, limpando as lágrimas dela, abraçando-a fortemente contra si. Ela riu, tentando inutilmente disfarçar a própria emoção, rindo porque ela sabia bem que ele só dissera "alegria" por saber que aquelas eram, de fato, lágrimas de felicidade, que a alegria era um sentimento que nem vulgarmente poderia ser comparado ao que sentiam. De uma forma estranha, ambos sabiam que haviam estado pensando nas mesmas coisas no momento em que ficaram ali em silêncio, de mãos dadas.
- Eu tenho o direito de chorar - disse ela, depois de beijá-lo por um momento. - Noivas podem chorar a noite toda, ok? É até um dever!
Ele riu, apertando-lhe as mãos carinhosamente.
- Isso é sexista. Não é porque eu sou o noivo que não posso chorar também...
- É claro que pode, a vantagem é que eu posso chorar na frente dos convidados - disse ela, com um sorriso maroto, rindo ainda mais do protesto dele que se perdeu no ar.
- Agora já foi - ele deu de ombros, resignado, sem conseguir parar de sorrir. - Na verdade, paradoxalmente minhas bochechas estão doendo de tanto sorrir, mas eu não consigo ficar sério por mais de um minuto... Será que isso é grave?
- Eu tenho certeza que passa, ou pelo menos espero eu - disse ela, massageando-lhe as bochechas de leve. - Também estou com esse probleminha.
- Você acreditou, em algum momento, que realmente chegaríamos aqui?
Ela o olhou, pensativa e, depois de um longo momento, sacudiu a cabeça.
- Não posso nem dizer que acreditei quando entrei na igreja, porque ainda não acredito, e provavelmente vou sonhar que foi um sonho - ela mordeu o lábio inferior, sem conseguir tirar os olhos dele. Como podia alguém ser tão lindo, tão verdadeiro e ainda assim estar casado com ela?
- Vamos voltar para a festa - disse ele, pegando-a pela mão. - Temos o resto da vida para pensar sobre a realidade disso tudo, por enquanto podemos aproveitar a nossa festa, não acha?
- Completamente de acordo - disse ela, limpando as lágrimas mais uma vez e respirando fundo. - Agora eu vou ser uma noiva bem educada e não chorar pelo resto da noite.
- Duvido! - exclamou ele rindo, enquanto ele saíam de mãos dadas para a festa de seu próprio casamento. Ela disse que duvidava que ele não chorasse também e, ainda rindo, meio abraçados, meio que carregando um ao outro, foram saborear cada detalhe, cada luz que preenchia aquela véspera de aniversário. Em poucos minutos, ele completaria 34 anos, todos se abraçariam e ambos sabiam que, pela primeira vez na vida, iriam dormir a manhã de Natal inteira, provavelmente com as bochechas ainda doloridas. E nos momentos mais sombrios, uma única foto daquela noite seria o suficiente para lembrá-los do que realmente eram juntos e sempre seriam. Sempre.
- Está... Está sim - disse ela, aproximando-se e o olhando por um longo momento, segurando as mãos que ele lhe oferecia. Ali o som da festa do casamento era abafado, porém não o suficiente para que não ouvissem quando anunciassem a homenagem que ela preparara secretamente para ele, com a ajuda dos amigos de ambos. Mas naquele momento isso não estava, nem de longe, em seus pensamentos. Apenas observava-o, o quão belo ficava com seus cabelos presos e muito bem arrumados, o quanto aqueles olhos ficavam mais bonitos brilhando alegres daquele jeito, realçados pela maquiagem escura; aquele traje formal que era longo atrás, que parecia ter sido criado para ele, para aquela noite... E finalmente, aquela promessa de passarem o resto da vida juntos, promessa feita em frente a todos os seus amigos e familiares e, mais importante que isso, feita clara e profundamente por dois tímidos como eles, que não tiveram vergonha de prometer na frente de todos, falando num microfone, que se amariam até o fim, como de fato sonhavam fazer, como tanto já haviam se prometido silenciosamente com seus olhares.
- Esse não é era para ser um dia só de alegria? - perguntou ele, sorrindo e chorando também, limpando as lágrimas dela, abraçando-a fortemente contra si. Ela riu, tentando inutilmente disfarçar a própria emoção, rindo porque ela sabia bem que ele só dissera "alegria" por saber que aquelas eram, de fato, lágrimas de felicidade, que a alegria era um sentimento que nem vulgarmente poderia ser comparado ao que sentiam. De uma forma estranha, ambos sabiam que haviam estado pensando nas mesmas coisas no momento em que ficaram ali em silêncio, de mãos dadas.
- Eu tenho o direito de chorar - disse ela, depois de beijá-lo por um momento. - Noivas podem chorar a noite toda, ok? É até um dever!
Ele riu, apertando-lhe as mãos carinhosamente.
- Isso é sexista. Não é porque eu sou o noivo que não posso chorar também...
- É claro que pode, a vantagem é que eu posso chorar na frente dos convidados - disse ela, com um sorriso maroto, rindo ainda mais do protesto dele que se perdeu no ar.
- Agora já foi - ele deu de ombros, resignado, sem conseguir parar de sorrir. - Na verdade, paradoxalmente minhas bochechas estão doendo de tanto sorrir, mas eu não consigo ficar sério por mais de um minuto... Será que isso é grave?
- Eu tenho certeza que passa, ou pelo menos espero eu - disse ela, massageando-lhe as bochechas de leve. - Também estou com esse probleminha.
- Você acreditou, em algum momento, que realmente chegaríamos aqui?
Ela o olhou, pensativa e, depois de um longo momento, sacudiu a cabeça.
- Não posso nem dizer que acreditei quando entrei na igreja, porque ainda não acredito, e provavelmente vou sonhar que foi um sonho - ela mordeu o lábio inferior, sem conseguir tirar os olhos dele. Como podia alguém ser tão lindo, tão verdadeiro e ainda assim estar casado com ela?
- Vamos voltar para a festa - disse ele, pegando-a pela mão. - Temos o resto da vida para pensar sobre a realidade disso tudo, por enquanto podemos aproveitar a nossa festa, não acha?
- Completamente de acordo - disse ela, limpando as lágrimas mais uma vez e respirando fundo. - Agora eu vou ser uma noiva bem educada e não chorar pelo resto da noite.
- Duvido! - exclamou ele rindo, enquanto ele saíam de mãos dadas para a festa de seu próprio casamento. Ela disse que duvidava que ele não chorasse também e, ainda rindo, meio abraçados, meio que carregando um ao outro, foram saborear cada detalhe, cada luz que preenchia aquela véspera de aniversário. Em poucos minutos, ele completaria 34 anos, todos se abraçariam e ambos sabiam que, pela primeira vez na vida, iriam dormir a manhã de Natal inteira, provavelmente com as bochechas ainda doloridas. E nos momentos mais sombrios, uma única foto daquela noite seria o suficiente para lembrá-los do que realmente eram juntos e sempre seriam. Sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário