quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Em Busca da Maturidade

Não há dúvida: o que todos querem é ser feliz. Não importa a idade, a nacionalidade, classe social ou qualquer outra distinção, a felicidade é o que todos procuram. Mas talvez não seja dela que mais precisamos.
Estive pensando, e bem, talvez a maturidade seja bem mais importante do que a felicidade. Talvez nós só possamos aproveitar a tal felicidade de verdade se tivermos maturidade o suficiente. A maturidade é algo que todos precisamos, não apenas pelo fato de que temos de crescer um dia, mas também porque precisamos aprender a olhar nossa própia vida com outros olhos.
Só através da maturidade o arrependimento não nos corroe. Ela nos permite ver com mais clareza porque cometemos alguns erros, porque temos alguns defeitos, porque as pessoas são como são. Através da maturidade podemos chegar à uma tranquilidade maior, porque já não ficamos tão ansiosos com qualquer coisa e pensamos mais. Então, com essa serenidade, é bem mais fácil ser feliz até mesmo por pequenos fatos.
Sem a maturidade a felicidade pode causar dor, pois a felicidade é momentânea e só a maturidade nos faz perceber que, mesmo que as coisas boas não durem para sempre, elas valem a pena, mesmo que deixem uma terrível saudade, elas valem simplesmente por terem sido boas.
A maturidade é muito mais difícil de alcançar. Ela não pode se apresentar na forma de ilusão como a felicidade, ela não pode vir como um carro novo ou um amor que jamais daria certo. A maturidade vem de muito pensamento, vivência, coisas que deram errado, enfim, crescimento. E ela vai sempre crescendo, em alguns mais rápido, em outros mal se move. Mas também é uma lei da vida.
Talvez a maioria das pessoas passe a vida procurando pela felicidade. Eu mesma passei minha vida toda (tudo bem, apenas míseros 16 anos) buscando a felicidade, mas agora repentinamente me dou por conta que a maturidade é bem mais importante. Sem a maturidade, eu até posso ser feliz, mas jamais terei a compreensão verdadeira de tudo que me rodeia, e se tudo é realmente verdadeiro e valioso. Então, não me adianta. Prefiro ser madura e tranquila sabendo melhor a verdade, do que eufórica e feliz, porém iludida.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ode aos Homens

Em qualquer lugar é possível encontrar homenagens às mulheres: o quanto elas são fortes, o quanto são amorosas, inteligentes e etc. Mas eu não gosto disso. Sei que as mulheres tem muitas qualidades, mas são os homens que me fascinam.
Um homem consegue esquecer de todos os seus problemas com uma cerveja e uma conversa boba com seus amigos. Homens não ficam se preocupando com detalhes, não reparam em coisas sem importância, não são tão inseguros, não cobram tanto. São carinhosos sem ser grudentos, fiéis sem ser ciumentos, tranquilos mesmo quando não tem certeza sobre algo.
Alguns são apaixonados pela vida e tem uma visão filosófica de tudo encantadora. Outros descrevem a mulher de uma forma que soa como uma bela música aos ouvidos. Outros tratam as mulheres exatamente da forma que elas desejam, outros sempre esperam por aquelas que marcaram suas vidas.
Homens tem sensibilidade, tem bom gosto, tem aquela leveza que quase nenhuma mulher tem, homem tem personalidade, tem força, tem beleza. Que graça teria vida sem eles? Nenhuma. Então, ode aos homens!

O 70tista e sua garota

Eram quatro da manhã, as ruas estavam quase vazias. Mas descendo uma das únicas ruas que ainda continuavam com um certo movimento, estavam dois casais de amigos, um andando em frente ao outro. Os da frente caminhavam conversando sobre coisas banais, abraçados, meio distraídos. Os de trás também caminhavam abraçados, mas eram muito diferentes de seus amigos.
Os dois andavam com os corpos praticamente colados. Eles riam e conversavam, como se eles estivessem no centro do mundo, e seu dever fosse exatamente isso: andar sem preocupações na madrugada, felizes um com o outro. Ambos tinham os cabelos castanhos, longos e lisos, estavam sempre com um sorriso sereno, tinham os olhos brilhantes, castanhos também. Ele a puxava para si, beijava-a no rosto, ela ria e eles continuavam naquele momento eterno.
Não era preciso conhecê-los para perceber o quanto tinham afinidade, os sorrisos e a proximidade indicava tudo. Os olhares que trocavam, os abraços, os beijos. Ele parecia tão feliz, tão realizado, e ela ficava ainda mais feliz por vê-lo assim. Era cena linda de se ver, os dois meio hippies, meio bêbados e meio apaixonados na madrugada, num lugar distante da mente deles onde apenas eles existiam, mesmo que houvessem pessoas ao redor.
Eu sinceramente sentiria inveja daquela menina, ela tinha 15 anos, era bem mais nova que ele, e estava tão feliz e sendo tão bem amada que era do tipo de coisa que dá vontade de sentar pra assistir. Melhor do que assistir só estar no lugar dela mesmo.
Ainda bem que eu era a garota do setentista.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Coisa de Gente Grande

Hoje uma coisa completamente inesperada e nova me aconteceu: um dos meus mais queridos primos veio me convidar para ser sua madrinha de casamento. Fiquei muito feliz com o convite, prontamente aceitei, mas como sempre, isso me levou à uma série de pensamentos.
Nos (poucos) casamentos que fui, quando via os padrinhos lá, sorridentes, no altar, sempre pensava: talvez, daqui muitos anos, quando algum amigo se casar, eu estarei lá. E de repente, pimba. Eu estarei lá pela primeira (e talvez única) vez em minha vida.
Foi muito bom ter sido escolhida. Quero dizer, mesmo que eu tenha sido um estepe, porque a mulher do meu outro primo (irmão do que irá se casar) virou ex, eu ainda estarei lá hornando esse título bonito. E afinal, eu que ficarei como a madrinha oficial, e fico feliz por ter sido escolhida. Tenho uma afinidade considerável com esse simpático rapaz de olhos verdes que tem a mesma paixão por livros que eu tenho, tanto que me empresta muitos livros (inclusive, tenho uns quantos dele em casa ainda) , que se interessa por ciências sociais e vive com um sorriso sereno e amigável no rosto magro. Os livros criaram um elo único entre nós - nos emocionamos, nos chateamos e nos divertimos com as mesmas palavras, na mesma ordem. Gosto de pensar que cada livro dele que leio também foi lido por ele. É um dos elos que mais gosto de ter com as pessoas.
Enfim, retomando o foco, agora as coisas serão diferentes. Desta vez não ficarei observando tudo o que acontece: eu é que estarei lá no altar. Serei eu, com um vestido longo, os cabelos perfeitamente penteados e uma expressão sorridente, tranquila, ao lado de um dos meus primos. De repente, eu sou a "mulher" que vai estar lá. Eu, a menininha que sempre observava a vida ao seu redor, agora participa dela. É uma transição estranha, mas grande, mesmo sabendo que muitas mais ocasiões como essas virão pela frente, nas quais eu perceberei que estou virando gente grande. Engraçado isso, eu, com meus ralinhos 16 anos, já estou virando gente grande. Que coisa interessante.
Um monte de "coisas de gente grande" estão por vir, e isso me assusta, mas também me agrada muito. Quase tudo que me apavora me excita, ainda mais quando se trata de uma transição na vida. Ao menos, eu espero que algum dia eu possa ser "gente grande" - não no sentido de ser supostamente adulta, mas pelo o que eu serei de fato, como pessoa. Pela Cristine que serei, e aí, eu nem vou me importar se eu estiver com um vestido longo e chique, ou com meu bom e velho par de all star e jeans surrados.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Homem Feio

Ele estava sentado na penumbra, diante de uma janela. Observava o céu com seus olhos castanho-claros, quase verdes. Tinha os cabelos meio crespos, morenos, e já estava na hora de cortá-los novamente. Assim como o cabelo, a barba era grisalha e estava por fazer. Apoiava o queixo sobre a mão direita e observava o céu quase sem estrelas, com uma expressão melancólica que não dizia muito sobre seus pensamentos: podia estar pensando na amada, em alguma coisa boa da infância ou sobre como a vida anda tediosa.
Este homem, que se descreve como velho e feio, para mim não podia ser mais belo. Isso talvez seja porque jamais vi o seu rosto - e jamais verei. Pois, mesmo que fosse feio, foi ele que, mesmo sem me conhecer, me descreveu em inúmeras de suas crônicas. Foi ele que através de suas palavras me mostrou o mar, sua infância, seu jeito de amar - vi tudo isso através de seus olhos quase verdes. Foi ele quem me descreveu das mais belas e diversas formas, e me fez dar um sorriso tímido, sereno, que é assim que é o meu sorriso sincero.
Que homem mais admirável, esse cronista. Para mim, ele vai além disso, é o amante, o menino que adorava a chuva, o menino que amava o mar, que fumava muito e gostava de pássaros. Seu nome? Muitos conhecem, mas não importa. Quem entendeu sua essência o conheceria só pelo começo da descrição. De qualquer forma, sou grata pelo fato de ele ter existido e amado as mulheres, o mar, a vida; e principalmente por ter me descrito, sem querer, de forma tão amorosa e pura. Eu poderia amá-lo.

Amor é Coisa de Velho

Antes de qualquer coisa, quero esclarecer o título dessa "crônica". O "velho" acima referido, não se refere à ideia pejorativa do dia-a-dia que temos com pessoas de idade avançada, mas sim à pessoas que já atingiram uma vivência e uma maturidade respeitável.
Bem, esclarecido o título, vamos à ideia. O amor ao que o título se refere também deve ser explicado. Não é qualquer amor: é o amor verdadeiro, aquele que é simples, delicado e constante. É o amor no qual nem se pensa em infidelidades nem tampouco em viver sem o outro, pois só se necessita do outro por perto, simplesmente.
Pois bem. Esse amor do qual falo, é um amor sincero e terno. Amor de companheiro, de quem precisa do outro ao lado, seja para trocar um sorriso ou para andar de mãos dadas ao entardecer. Um amor que não busca paixão, loucura - um amor sereno, construído pelos anos.
Por todas essas características que eu digo: amor é coisa de velho. Porque só uma pessoa com uma certa maturidade poderia perceber que às vezes só o fato de ter alguém ali, segurando gentilmente sua mão já é uma coisa boa. Só uma pessoa madura pode entender o valor de pequenos gestos, de carinhos, de delicadezas. E só mesmo uma pessoa muito madura poderia aceitar um amor que já não pode conter relações sexuais, mas mesmo assim pode ser constante e belo.
Esse é o tipo de amor dos velhinhos que vemos de mãos dadas por aí. Até isso está se tornando raro, eu sei, mas ainda vemos. Não sei se esse amor nasce de uma paixão louca ou de apenas uma necessidade de "não morrer sozinho", só sei que por vezes ele acontece. Particularmente, duvido muito que eu mesma vá me submeter à um amor delicado desses, mas é uma coisa bonita de se ver. Mesmo nesses dias terríveis de hoje, é bonito de se ver.

" Tua língua em meu mamilo, água e sal"

Estamos na "era" das mulheres frutas. Na mídia, só se vêem bonecas infláveis, como eu citei anteriormente aqui. As músicas contém um apelo sexual baixo e vulgar, todo o consumismo é voltado para o corpo, para os orgasmos. Porém, se alguém ouvir esses versos de Zeca Baleiro, com certeza vai se chocar:


 " Quero tudo ter, estrela, flor, estilo
 Tua língua em meu mamilo água e sal "


Mulheres semi-nuas aparecendo na tv à tarde é permitido. Novelas quase pornográficas, também. Agora 'língua no mamilo' numa música, nem pensar. Imagine só!
Tua língua em meu mamilo... Sempre gostei desse verso. É uma coisa tão pura, tão simples, mas ao mesmo tempo tão íntima que chega a ser bonita. Ainda mais quando esse é o desejo simples, porém intenso. Isso é que demonstrar a sexualidade sem banalizar, sem vulgarizar. Tua língua em meu mamilo...Simples assim. Uma carícia no escuro, sexo. Uma coisa natural e bela, desde que tratada com o devido respeito. Desde que seja feito por dois seres humanos, e não duas máquinas de prazer, mulheres frutas e homens bombados, que nada tem na cabeça além de dietas e academias.
Zeca Baleiro sim, um homem de verdade. Soube demonstrar a sublime beleza de uma carícia íntima. Deveria ser proibido o sexo sem poesia, ah devia.

Intelectuais Felizes?

Talvez eu esteja errada, mas creio que é impossível ser plenamente feliz por um longo período de tempo quando se tem um nível intelectual um pouco acima do normal. Muitos são os fatores causadores desse mal.
Comecemos pelo fato de que, com um nível intelectual um tanto mais alto, automaticamente a pessoa pensa mais. Pensando mais, questionamentos surgem. Exemplo: "Só se pode ser feliz no amor casando". Aí vem o pensador: " Por que? Qual é a relação entre casamento e o sentimento individual de amor? E por que outra forma de amar não pode trazer tanta ou mais felicidade do que o casamento? " . A partir desses questionamentos, novos conceitos dão lugar à aqueles que lhe foram impostos desde a infância.
E então, esse infeliz pensador, começa a questionar mesmo quando ele supostamente deveria estar feliz. Supostamente, ele deveria estar feliz se o seu salário aumentou, mas isso não o fez mais feliz. Por que? Isso leva a mais uma série de longas reflexões e por muitas vezes uma busca mais profunda da felicidade.
Já não sei se felizes são os seres pensantes ou os meros cidadãos que pensam conforme a sociedade espera, ou seja, não pensam. Deve ser muito mais fácil simplesmente se sentir feliz quando é a ocasião para isso e se sentir triste também apenas assim, o que não acontece sempre com um ser pensante. Talvez seja realmente mais fácil viver sem questionar nada, mas se é assim, prefiro morrer infeliz do que não ter meus questionamentos, amém.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Nostalgia

Nostalgia é uma palavra que soa mal. É como uma manhã com cor de chumbo, só parece bonita quando se está melancólico. Mas nem sempre a nostalgia é ruim.
Às vezes, por culpa da nostalgia, esse sentimento chato e insistente, a gente acaba ligando para alguém que não vemos nem falamos há muito tempo. Disso, por vezes surgem bons momentos e uma amizade renasce do que começou apenas com um sentimento triste.
É triste ficar olhando para trás e pensando o quanto "No meu tempo não era assim..." mas não precisamos evitar olhar o passado. Isso faz bem, até. É bom parar num dia e olharmos para trás, não com saudade ou fazendo desejos que tempos adorados voltem, mas olhando com um pouco mais de sabedoria, medindo um pouco melhor mais os fatos.
Se pensarmos melhor, veremos que aquilo que nos fez tão feliz há 3 ou 10 anos atrás, provavelmente não faria agora. Acabamos mudando com o tempo, e a saudade acaba fazendo com que a gente amadureça. Temos que nos adaptar e o crescimento proveniente dessa adaptação nos permite olhar com um sorriso sereno e sem culpa nem saudade para trás, com o pensamento de que foi bom enquanto durou.
Acaba que a nostalgia se torna boa, pois nos permite ver que crescemos e ainda assim não éramos tolos quando vivíamos tão levianamente. Mas ainda assim me parece uma palavra feia, essa tal de nostalgia.

Pequenas Belezas

Nós já não costumamos prestar atenção às belas pequenas coisas que nos rodeiam. Vivemos numa correria diária, corremos para não perder o ônibus, não perder o horário, não perder uma promoção. Infelizmente, é quase impossível fugir desse ritmo esquizofrênico de vida. Ainda bem que, para as pequenas (e realmente belas) coisas, nós só precisamos de alguns segundos.
O barulho da chuva forte caindo numa noite escura. Uma brisa suave num dia quente. O sorriso tranquilo e sereno de uma criança adorada. A música que mais gostamos numa estação de rádio ao acaso. Uma bela paisagem, um banho fresco, um livro interessante...Todas essas coisas são pequenos momentos e quase insignificantes comparados à quantia de horas que gastamos com trabalho, mas no fim das contas são eles que fazem a diferença.
Mesmo que tudo em sua vida esteja desabando, o dia tenha sido péssimo, tudo esteja errado e inverso, a chuva ainda pode cair. As estrelas ainda podem brilhar e a vida simplesmente segue seu curso natural, e isso é bastante consolador. Como Renato Russo canta: "Tudo passa, tudo passará". Essa máxima me conforta, saber que essas pequenas coisas sobreviverão ao tempo e aos meus erros.
No fundo, acho que todos sabemos que por mais que estejamos passando por uma situação difícil, essas pequenas coisas continuam existindo, ainda em sua beleza original e pura. Isso é consolador, nos lembra que assim como essas coisas, existem sentimentos e coisas em nós que jamais mudarão, continuaram intocadas e belas. E por isso vale à pena continuar vivendo.