Hoje uma coisa completamente inesperada e nova me aconteceu: um dos meus mais queridos primos veio me convidar para ser sua madrinha de casamento. Fiquei muito feliz com o convite, prontamente aceitei, mas como sempre, isso me levou à uma série de pensamentos.
Nos (poucos) casamentos que fui, quando via os padrinhos lá, sorridentes, no altar, sempre pensava: talvez, daqui muitos anos, quando algum amigo se casar, eu estarei lá. E de repente, pimba. Eu estarei lá pela primeira (e talvez única) vez em minha vida.
Foi muito bom ter sido escolhida. Quero dizer, mesmo que eu tenha sido um estepe, porque a mulher do meu outro primo (irmão do que irá se casar) virou ex, eu ainda estarei lá hornando esse título bonito. E afinal, eu que ficarei como a madrinha oficial, e fico feliz por ter sido escolhida. Tenho uma afinidade considerável com esse simpático rapaz de olhos verdes que tem a mesma paixão por livros que eu tenho, tanto que me empresta muitos livros (inclusive, tenho uns quantos dele em casa ainda) , que se interessa por ciências sociais e vive com um sorriso sereno e amigável no rosto magro. Os livros criaram um elo único entre nós - nos emocionamos, nos chateamos e nos divertimos com as mesmas palavras, na mesma ordem. Gosto de pensar que cada livro dele que leio também foi lido por ele. É um dos elos que mais gosto de ter com as pessoas.
Enfim, retomando o foco, agora as coisas serão diferentes. Desta vez não ficarei observando tudo o que acontece: eu é que estarei lá no altar. Serei eu, com um vestido longo, os cabelos perfeitamente penteados e uma expressão sorridente, tranquila, ao lado de um dos meus primos. De repente, eu sou a "mulher" que vai estar lá. Eu, a menininha que sempre observava a vida ao seu redor, agora participa dela. É uma transição estranha, mas grande, mesmo sabendo que muitas mais ocasiões como essas virão pela frente, nas quais eu perceberei que estou virando gente grande. Engraçado isso, eu, com meus ralinhos 16 anos, já estou virando gente grande. Que coisa interessante.
Um monte de "coisas de gente grande" estão por vir, e isso me assusta, mas também me agrada muito. Quase tudo que me apavora me excita, ainda mais quando se trata de uma transição na vida. Ao menos, eu espero que algum dia eu possa ser "gente grande" - não no sentido de ser supostamente adulta, mas pelo o que eu serei de fato, como pessoa. Pela Cristine que serei, e aí, eu nem vou me importar se eu estiver com um vestido longo e chique, ou com meu bom e velho par de all star e jeans surrados.
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