Ele estava sentado na penumbra, diante de uma janela. Observava o céu com seus olhos castanho-claros, quase verdes. Tinha os cabelos meio crespos, morenos, e já estava na hora de cortá-los novamente. Assim como o cabelo, a barba era grisalha e estava por fazer. Apoiava o queixo sobre a mão direita e observava o céu quase sem estrelas, com uma expressão melancólica que não dizia muito sobre seus pensamentos: podia estar pensando na amada, em alguma coisa boa da infância ou sobre como a vida anda tediosa.
Este homem, que se descreve como velho e feio, para mim não podia ser mais belo. Isso talvez seja porque jamais vi o seu rosto - e jamais verei. Pois, mesmo que fosse feio, foi ele que, mesmo sem me conhecer, me descreveu em inúmeras de suas crônicas. Foi ele que através de suas palavras me mostrou o mar, sua infância, seu jeito de amar - vi tudo isso através de seus olhos quase verdes. Foi ele quem me descreveu das mais belas e diversas formas, e me fez dar um sorriso tímido, sereno, que é assim que é o meu sorriso sincero.
Que homem mais admirável, esse cronista. Para mim, ele vai além disso, é o amante, o menino que adorava a chuva, o menino que amava o mar, que fumava muito e gostava de pássaros. Seu nome? Muitos conhecem, mas não importa. Quem entendeu sua essência o conheceria só pelo começo da descrição. De qualquer forma, sou grata pelo fato de ele ter existido e amado as mulheres, o mar, a vida; e principalmente por ter me descrito, sem querer, de forma tão amorosa e pura. Eu poderia amá-lo.
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