segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O 70tista e sua garota

Eram quatro da manhã, as ruas estavam quase vazias. Mas descendo uma das únicas ruas que ainda continuavam com um certo movimento, estavam dois casais de amigos, um andando em frente ao outro. Os da frente caminhavam conversando sobre coisas banais, abraçados, meio distraídos. Os de trás também caminhavam abraçados, mas eram muito diferentes de seus amigos.
Os dois andavam com os corpos praticamente colados. Eles riam e conversavam, como se eles estivessem no centro do mundo, e seu dever fosse exatamente isso: andar sem preocupações na madrugada, felizes um com o outro. Ambos tinham os cabelos castanhos, longos e lisos, estavam sempre com um sorriso sereno, tinham os olhos brilhantes, castanhos também. Ele a puxava para si, beijava-a no rosto, ela ria e eles continuavam naquele momento eterno.
Não era preciso conhecê-los para perceber o quanto tinham afinidade, os sorrisos e a proximidade indicava tudo. Os olhares que trocavam, os abraços, os beijos. Ele parecia tão feliz, tão realizado, e ela ficava ainda mais feliz por vê-lo assim. Era cena linda de se ver, os dois meio hippies, meio bêbados e meio apaixonados na madrugada, num lugar distante da mente deles onde apenas eles existiam, mesmo que houvessem pessoas ao redor.
Eu sinceramente sentiria inveja daquela menina, ela tinha 15 anos, era bem mais nova que ele, e estava tão feliz e sendo tão bem amada que era do tipo de coisa que dá vontade de sentar pra assistir. Melhor do que assistir só estar no lugar dela mesmo.
Ainda bem que eu era a garota do setentista.

Nenhum comentário: