sexta-feira, 26 de junho de 2009

100% USA

Recentemente, uma moda que eu jamais pensei que fosse surgir, foi ganhando força e finalmente se mostrou. É "cult" qualquer jovem dizer que odeia os Estados Unidos. Afinal, eles são a nação fast-food, são "riquinhos e metidos". Tudo bem, eles são riquinhos mesmo. Mas nem todos. E a coisa toda não é bem assim.
Até pouco tempo, todo mundo amava os Estados Unidos. Sentia maior orgulho de dizer que ia ao McDonald's, que assistia aos Simpsons, ouvia Guns n'Roses e achava tudo muito lindo. E aí, uns podres dos Estados Unidos vieram à tona e pimba. Eles se tornaram a nação mais "detestável".
A verdade é que os Estados Unidos jamais foi um país perfeito. Nenhum país é, por mais desenvolvido e legal que seja. Mesmo assim, os brasileiros sempre tentaram imitar o estilo de vida dos americanos de classe média, sempre assistiu aos filmes produzidos por eles, e por trás dessa fachada de que já não os admiram, continuam a admirar do mesmo jeito, só não escancaram mais.
Eu continuo enchendo a boca pra falar que adoro os Estados Unidos e que meu sonho é morar em Los Angeles. Eu ainda rolo de rir ouvindo as besteiras do Homer, me lambuzo com um Bic Mac e ouço Guns n'Roses mais do que é suportável para quase qualquer pessoa. Continuo achando o máximo o clima chuvoso de Forks, as casas azuis com fachadas brancas de qualquer lugar de lá.
Continuo adorando os costumes de lá, onde você não está ficando com um carinha, e sim saindo com ele. Você pode ir ao baile de primavera, pode estudar as matérias que são necessárias para a faculdade, pode fazer teatro sem ser considerada excêntrica. Pode dirigir aos 16, ter um emprego de meio turno, estudar e viver uma vida bem legal e tranquila.
Não vejo motivos pra deixar de gostar de um país que sempre achei o máximo, simplesmente porque alguém disse que é "cult". Para mim, cult mesmo é manter suas opiniões, mesmo sabendo que aquilo que você gosta tem defeitos (como é o caso dos Estados Unidos). Cult é saber mudar de opinião quando encontra motivos convincentes, mas manter sua velha opinião se os motivos não te convencerem.
Modismos vêm e vão, são tão passageiros o quanto frívolos. No fundo, ninguém se importa se você é escrava deles ou se simplesmente os ignora. Os norte-americanos vão continuar vivendo suas vidas tranquilamente, quer você os odeie agora ou não. Eu não consigo mudar de opinião só porque todo mundo diz que é legal. Talvez eu tenha um neurônio a menos ou alguma coisa assim, não sei mesmo, mas eu realmente não consigo. Ainda amo os Estados Unidos com todos os seus defeitos e seu modo de vida que todo mundo quer levar. Ainda sou 100% USA, e nem faço questão de mudar. Afinal, logo vai estar na moda amá-los novamente, não é mesmo?

Ela realmente não pode continuar.

Na minha escola, e acredito que na maioria das outras escolas estaduais, ocorrem protestos contra a atual governadora do Rio Grande do Sul, Yeda. Adesivos são distribuídos, folhetos explicativos e tudo mais. Já conversei com muitos engajados na causa, e sou completamente à favor deles. Eles estão lutando por uma causa justa, e são uma minoria que me dão esperança de algum futuro decente, pois pelo menos entre tantos jovens alienados, vejo que alguns já tem opinião formada e lutam por ela. É lindo de se ver, literalmente.
Mesmo diante do orgulho que sinto dessa parte da minha geração que tem consciência e opinião própia, fiquei chocada com o que vi esses dias. Um menino estava com um adesivo desses contra a Yeda grudado na mochila, porém modificado. Os adesivos dizem "Ela não pode continuar. Fora Yeda!". O tal garoto recortou dois pedaços de papel, um ele pintou de preto e grudou sobre o "não" e em outro ele escreveu "fica" e colou sobre o "fora", formando a seguinte frase: "Ela pode continuar. Fica Yeda".
Foi a típica ocasião em que tive que rir pra não chorar. Eu achando que esses tais puxa-sacos abestalhados estavam escassos, dou de cara com um tão patético em pleno século XXI. Tudo bem, se fossem apenas suspeitas as acusações feitas contra a Yeda, ele estaria apenas expressando sua opinião. Mas as acusações são reais, e ao menos que ele adore ser roubado, não posso acreditar que esteja sendo sincero.
Tendo tanta informação disponível, é impossível que qualquer jovem não saiba dos escândalos sobre Yeda. A única explicação que consigo imaginar é que ele seja parente dela ou coisa do tipo, pois não existe coisa mais medíocre do que puxa-saquismo barato.
Existem milhões de formas de chamar a atenção, e não precisamos ficar tentando se opor a opinião (quase) geral para isso. Não precisamos ser extremamente obtusos e fingir que temos um governo maravilhoso. Chamamos muito mais a atenção alheia se formos sensatos e realistas. Na minha opinião, não só a Yeda não pode continuar, assim como esses bunda-moles que não tem coragem para ser quem são e darem a cara a bater por ter sua própia opinião. Muito mais "horrível" do que ser contra os atuais governantes, é fingir que eles são maravilhosos e que tudo está muito bem, obrigada. Prefiro ter uma rebeldia gritante do que um conformismo medíocre, que por sinal, não pode continuar mesmo.