segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A Vista do Mar

Nesta época do ano, todos desejam ir à praia. Com a chegada do carnaval a coisa ainda aumenta, se é possível. Na mente, as intenções mais comuns: exibir e ver corpos malhados, tomar sol, beber, participar das malditas "pegações e azarações" (dois termos que se tornaram ridículos pelo mau uso), enfim, essas coisas mundanas e banais. Mas quando eu penso em praia, o que eu menos quero é tudo isso.
Para começo de conversa, prefiro mil vezes uma praia deserta ou com poucas pessoas do que essas cheias de gente. Não, para mim a praia não é lugar de socializar, de ficar nessas coisas de "pegação" e etc. Tampouco quero ir à praia nos horários em que todos estão lá, de forma alguma.
O que realmente me encanta na praia é seu protagonista, o mar. Gostaria de poder passar horas sentada sobre uma pedra, abraçando meus joelhos, apenas o observando, em toda sua vastidão, sua beleza, sua fúria e sua calmaria. Não queria gente barulhenta ao redor, se possível, nem gente eu queria. Tampouco queria entrar no mar ou algo assim, é apenas contemplá-lo o que realmente me encanta.
Lembro-me perfeitamente de uma vez quando eu era pequena e fui à praia com meu pai, lá estava eu brincando com ele no mar, quando repentinamente olhei para sua imensidão azul tão tranquila, e olhei para os olhos sempre amigáveis do meu pai: era o mesmo azul, a mesma imensidão. Aquilo me encantou profundamente, ver o quanto o mar estava nos olhos do meu pai, que sempre foi meu herói. Desde então, sempre amei contemplá-lo.
Sempre que penso em alguma coisa realmente tranquila, realmente boa, me imagino exatamente assim; sentada sobre uma pedra, em silêncio, apenas observando o mar e sentindo o vento, velho amigo, a me envolver e confortar. Ninguém está por perto, ninguém mais existe. É como se eu ficasse olhando aquele azul perfeito por horas a fio, pensando em tudo e em todos, por vezes pensando em nada, como se conversasse com alguém muito amado que perdi há anos. Meus pensamentos são lidos pelo mar, que em sua imensidão e quietude, me compreende, me conforta. E isso para mim é uma das coisas que faz a vida boa, mesmo que seja apenas na imaginação, estando na cidade mesmo.
As pessoas banalizaram e vulgarizaram a praia, mas ainda acredito na praia pura de meus sonhos. Na vista profunda e lírica do mar, na contemplação meditativa e absoluta, na compreensão mútua, silenciosa e psicodélica. Então, enquanto os outros continuam indo à praia apenas para festejar sua própia ignorância, eu fico em silêncio, talvez nem mesmo de corpo presente na praia, mas mesmo assim contemplando a infinta beleza do mar, forte e poderoso, que sempre representará aquela paz há muito perdida em mim.

Nenhum comentário: