segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Saudades do Renato, Apenas

É algo praticamente unânime: quase todas as pessoas sentem uma certa (ou grande) nostalgia ao lembrar-se de sua infância. Começam a lembrar das brincadeiras, dos amigos, da rua onde moravam, dos programas que assistiam. Mas eu não sinto saudade da minha infância, nem um pouco.
É claro que haviam boas coisas. Mas acho que a única coisa realmente boa é que eu podia ficar por horas olhando nada sem que ninguém viesse me perguntar: o que você está fazendo? Não existia a bendita internet (existir, existia, mas não era popular), as crianças não eram tão vulgares, tão sem vida. Mesmo assim, eu não gostava de tudo aquilo
Eu odiava não poder participar das conversas dos adultos. Odiava não poder dizer o que eu pensava sobre o que eu estava ouvindo, e minha opinião não contar nem um pouquinho. Odiava ter de depender dos outros para quase tudo, mas amava os meus momentos de silêncio.
De fato, a única coisa que eu realmente sinto falta da minha infância era quando, em alguns sábados à tarde, minha mãe colocava o cd do Legião Urbana num volume relativamente alto, e enquanto ela cozinhava algo ou limpava a casa, eu sentava num banco de madeira que havia na lateral da minha casa (que dava para um pequeno terreno que lembrava um belo campo, onde apesar de já haverem construído uma floricultura, ainda há uma frondosa árvore que sempre contemplei, e ainda conserva sua beleza) e eu ficava lá, abraçando os meus joelhos, observando o horizonte enquanto Renato Russo vinha "conversar comigo", como um bom amigo ou conselheiro. E lá eu ficava por horas (podiam ser apenas minutos, mas eu apreciava tanto cada momento que tudo parecia durar mais), apenas observando aquela "paisagem" que eu tanto adorava e absorvendo cada palavra que aquela maravilhosa e amiga voz cantava.
Minha mãe me disse que uma vez eu perguntei para ela se era verdade "que o vento levava tudo embora". Ela ficou surpresa, pois eu tinha cerca de 3 ou 4 anos e ela já não ouvia Legião Urbana há um bom tempo. Ela jamais se esqueceu do quão séria e preocupada eu fiz essas pergunta, com um semblante extremamente meditativo, ainda mais para a minha idade.
Então, quando essas conversas sobre a infância vem, eu só sinto falta da voz do Renato Russo ali, me ensinando a pensar, de certa forma, sempre presente. Era ele quem eu imaginava sempre ao meu lado, e não qualquer personagem. De alguma forma, era como se ele estivesse sempre ao meu lado, me compreendendo como jamais alguém nesse mundo poderia. Eu me lembro da voz dele, sempre em minha mente, e quando lembro da minha infância, o que mais sinto falta é do Renato. Meu amigo Renato, que sempre esteve comigo, e no meu coração, sempre estará.

"
E é de ti que não me esquecerei. "


Renato Manfredini Junior, meu eterno companheiro. ♥

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