Antes de nos revoltarmos completamente contra o deputado, temos de lembrar de uma coisa: estamos no Brasil. Isso significa que "opinião pública" não abrange toda a população, e apenas uma pequena parte dela. O Brasil é formado por um povo que basicamente trabalha, assiste novela, dorme e então começa a rotina novamente. Lazer é ouvir música de baixa qualidade em lugares super lotados, beber uma cerveja e ficar sem fazer nada, ir à praia (que também costuma ser lotada) e apenas coisas desse tipo. É apenas uma pequena parte da população que tem o hábito da leitura, que se interessa por política, artes e entretenimento de qualidade. Esse seleto grupo sim, tem conhecimentos básicos suficientes para formarem uma "opinião pública". Talvez uns 20 ou 30 % dos brasileiros sejam assim. E eu acho que estou sendo otimista com esses números.
Como conseguir um voto consciente, se a maioria da população não tem sequer cultura suficiente para isso? Como conscientizar um povo tão grande, se pra eles leitura é chatice e perda de tempo, se música de qualidade é música de "gente rica", se horário político é um pé no saco?
Para construírmos um país melhor, precisamos ter uma população melhor. Uma população que saiba em quem e porque está votando, que compreenda que tem direitos e deveres, que seu voto faz diferença sim e que o hábito da leitura é extremamente agrádavel.
É difícil tentar mudar pessoas que agiram a vida inteira dessa forma inculta, porém podemos incentivar as crianças a ter bons hábitos desde cedo. Podemos, por mais que sejamos poucos, votar com consciência e agir da mesma forma. Afinal, já que a opinião pública brasileira é quase inexistente, podemos muito bem conservar o pouco que existe.
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