Subitamente, ela acordou com a claridade excessiva. Tinha preguiça de abrir os olhos, quase tinha preguiça de respirar. Mas o ar era leve e o clima, inesperadamente agradável. Ela abriu os olhos mas os fechou imediatamente, a claridade do sol quase a cegara. Sobressaltada, porém calma, ela se sentou rapidamente, olhando ao seu redor para tentar descobrir onde estava. O gramado onde ela estivera deitada parecia ser delimitado apenas pelas montanhas ao longe, e haviam várias árvores espalhadas dispersamente. Pessoas conversavam, riam e descansavam por todo o lugar, como num dia tranquilo de passeio. Parecia um sonho, mas muitas das pessoas que ela mais amava estavam ali, inclusive ele. Ele, o grande Poeta, o qual ela amara intensamente mas que não pudera ter ao seu lado por mais do que alguns poucos meses. Ele conversava despreocupadamente com um amigo de ambos, parecendo ainda mais belo com os longos cabelos crespos soltos. Ela se levantou prontamente e sorriu, indo caminhando cautelosamente em sua direção. Queria correr, mas tinha medo que, de alguma forma, a realidade se transformasse e ele não estivesse mais ali a qualquer movimento em falso dela.
Quando se levantou, percebeu que estava vestindo seu longo vestido branco, o seu vestido favorito. Por alguma estranha razão, ou melhor, sem nenhuma razão aparente, aquele vestido lembrava-lhe a Grécia Antiga. Levantando-o levemente para que ele não arrastasse na grama, foi caminhando sorrindo até onde o Poeta estava. Ele, num movimento da cabeça, avistou-a e pareceu congelar por inteiro, completamente encantado. Paralisado, ele ficou apenas a observá-la, por mais que quisesse ir até ela. Quando ela finalmente chegou perto, ele teve coragem para ficar de pé em sua frente. Abaixou a cabeça para olhá-la nos olhos. Ela tinha olhos castanhos, que brilhavam com uma alegria e um amor que ele conhecia bem.
- Você... você voltou, definitivamente?
- Eu suponho que sim - concordou ela, timidamente, sorrindo. Ambos não cabiam em si de alegria. Com delicadeza, ele tocou o rosto dela com a ponta dos longos dedos brancos. A simples sensação dele tocando-a fez com que ela fechasse os olhos, sentindo cada átomo seu que se encontrava ao dele. Ele a observava de olhos fechados numa expressão puramente prazerosa e era invadido por uma violenta onda de ternura por ela. Ele a beijou delicada e intensamente, no que foi plena e amplamente correspondido - não apenas nos gestos, mas como também nas sensações mais íntimas. Sentindo uma alegria profunda, depois de um tempo que ambos não saberiam dizer se haviam sido apenas segundos ou horas inteiras, eles partiram o beijo e se abraçaram fortemente. Ele lhe acariciava os longos cabelos lisos e a apertava contra si, como se não quisesse que nada pudesse afastá-la outra vez. Ela lhe beijou demorada e carinhosamente a bochecha, olhando-o sorrindo. Observava cada milímetro dele como se fosse a primeira vez que o via e, de fato, o encantamento que a visão lhe causava era o mesmo, senão ainda mais profundo. Observava tudo: os olhos cinzentos, o nariz que se alargava apenas na ponta, os lábios pequenos e desenhados, o cavanhaque loiro, os dentinhos de lobo. Como tantas outras vezes, sentia que queria, apenas e unicamente com ele, viver o resto da sua vida.
- Venha, você merece reencontrá-la.
Sem entender muito, ela desceu uma leve inclinação que havia na grama, sendo conduzida por ele que a levava pela mão, olhando-a a cada instante como se quisesse ter certeza de que ela não havia simplesmente evaporado. Ela se sentia leve, sentia-se finalmente em paz. De alguma forma, sentia-se livre para amá-lo como realmente sempre desejara. Não sentia medo ou aquela velha sensação de que não o merecia. Sabia que poderiam ter o futuro que queriam juntos, que poderiam aproveitar cada segundo de cada dia que passassem juntos, como haviam feito num passado não muito distante.
Depois de haverem caminhado um pouco, viram ao longe uma espécie de trono, onde só podiam ver longos cabelos negros e uma veste branca. Ela franziu o cenho, concluindo corretamente quem era.
- Não pode ser... - falou mais para si mesma do que para o Poeta. Ele a olhou sorrindo e ela mal pôde acreditar. Era Ela então! Mesmo que fosse ela que estivesse andando atrás do Poeta, agora ela corria, puxando-o pela mão, fazendo-o rir com sua felicidade infantil. Ofegante, ela logo chegou em frente d'Ela. Ela a olhou com um sorriso maternal, com seus olhos verdes transbordando ternura, e com esse olhar ela sentiu seus olhos transbordarem de lágrimas. Apertando de leve a mão do Poeta, ela a soltou e obedeceu ao sinal que Ela fazia-lhe, ajoelhou-se no chão e deitou a cabeça em seu colo.
Ela começou a fazer carinho nos cabelos dela e as lágrimas começaram a correr livremente. Até agora não havia percebido o quão longe havia chegado, mas finalmente estava ali e sim, tinha alcançado o que tanto almejara, e o que julgava ser impossível: estava pronta para o Poeta, era digna dele. Depois de um longo tempo ela se acalmou, mas ainda assim tremia de felicidade. Recebeu um beijo carinhoso d'Ela em sua fronte e novamente deu a mão ao Poeta, trocando um olhar amoroso e caminhando lentamente ao seu lado. Como sempre faria dali em diante.
Quando se levantou, percebeu que estava vestindo seu longo vestido branco, o seu vestido favorito. Por alguma estranha razão, ou melhor, sem nenhuma razão aparente, aquele vestido lembrava-lhe a Grécia Antiga. Levantando-o levemente para que ele não arrastasse na grama, foi caminhando sorrindo até onde o Poeta estava. Ele, num movimento da cabeça, avistou-a e pareceu congelar por inteiro, completamente encantado. Paralisado, ele ficou apenas a observá-la, por mais que quisesse ir até ela. Quando ela finalmente chegou perto, ele teve coragem para ficar de pé em sua frente. Abaixou a cabeça para olhá-la nos olhos. Ela tinha olhos castanhos, que brilhavam com uma alegria e um amor que ele conhecia bem.
- Você... você voltou, definitivamente?
- Eu suponho que sim - concordou ela, timidamente, sorrindo. Ambos não cabiam em si de alegria. Com delicadeza, ele tocou o rosto dela com a ponta dos longos dedos brancos. A simples sensação dele tocando-a fez com que ela fechasse os olhos, sentindo cada átomo seu que se encontrava ao dele. Ele a observava de olhos fechados numa expressão puramente prazerosa e era invadido por uma violenta onda de ternura por ela. Ele a beijou delicada e intensamente, no que foi plena e amplamente correspondido - não apenas nos gestos, mas como também nas sensações mais íntimas. Sentindo uma alegria profunda, depois de um tempo que ambos não saberiam dizer se haviam sido apenas segundos ou horas inteiras, eles partiram o beijo e se abraçaram fortemente. Ele lhe acariciava os longos cabelos lisos e a apertava contra si, como se não quisesse que nada pudesse afastá-la outra vez. Ela lhe beijou demorada e carinhosamente a bochecha, olhando-o sorrindo. Observava cada milímetro dele como se fosse a primeira vez que o via e, de fato, o encantamento que a visão lhe causava era o mesmo, senão ainda mais profundo. Observava tudo: os olhos cinzentos, o nariz que se alargava apenas na ponta, os lábios pequenos e desenhados, o cavanhaque loiro, os dentinhos de lobo. Como tantas outras vezes, sentia que queria, apenas e unicamente com ele, viver o resto da sua vida.
- Venha, você merece reencontrá-la.
Sem entender muito, ela desceu uma leve inclinação que havia na grama, sendo conduzida por ele que a levava pela mão, olhando-a a cada instante como se quisesse ter certeza de que ela não havia simplesmente evaporado. Ela se sentia leve, sentia-se finalmente em paz. De alguma forma, sentia-se livre para amá-lo como realmente sempre desejara. Não sentia medo ou aquela velha sensação de que não o merecia. Sabia que poderiam ter o futuro que queriam juntos, que poderiam aproveitar cada segundo de cada dia que passassem juntos, como haviam feito num passado não muito distante.
Depois de haverem caminhado um pouco, viram ao longe uma espécie de trono, onde só podiam ver longos cabelos negros e uma veste branca. Ela franziu o cenho, concluindo corretamente quem era.
- Não pode ser... - falou mais para si mesma do que para o Poeta. Ele a olhou sorrindo e ela mal pôde acreditar. Era Ela então! Mesmo que fosse ela que estivesse andando atrás do Poeta, agora ela corria, puxando-o pela mão, fazendo-o rir com sua felicidade infantil. Ofegante, ela logo chegou em frente d'Ela. Ela a olhou com um sorriso maternal, com seus olhos verdes transbordando ternura, e com esse olhar ela sentiu seus olhos transbordarem de lágrimas. Apertando de leve a mão do Poeta, ela a soltou e obedeceu ao sinal que Ela fazia-lhe, ajoelhou-se no chão e deitou a cabeça em seu colo.
Ela começou a fazer carinho nos cabelos dela e as lágrimas começaram a correr livremente. Até agora não havia percebido o quão longe havia chegado, mas finalmente estava ali e sim, tinha alcançado o que tanto almejara, e o que julgava ser impossível: estava pronta para o Poeta, era digna dele. Depois de um longo tempo ela se acalmou, mas ainda assim tremia de felicidade. Recebeu um beijo carinhoso d'Ela em sua fronte e novamente deu a mão ao Poeta, trocando um olhar amoroso e caminhando lentamente ao seu lado. Como sempre faria dali em diante.
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