quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

The Same Deep Waters

Eles chegaram em casa ainda mais cedo do que previam. Rapidamente largando suas malas, Donna foi abraçar sua mãe.
- Vocês demoraram, filha - disse ela, sorrindo, com uma doçura que não lhe era natural. Ignorando a tentativa fracassada da mãe, ela perguntou:
- Onde está Izzie?
- Não sei, na verdade. Estava no quarto mais cedo, mas acho que foi dar um passeio de balsa ou apenas ficar apreciando a vista da baía. Vocês deveriam saber, ela fica horas inteiras olhando a baía, um desperdício total de tempo. Enquanto ela deveria já estar se preparando para a faculdade...
Mas Donna parara de ouvir. Algo nela fez com que corresse atrás da filha, algo chamava-a. Saiu correndo mais rápido do que nunca, sem sequer lembrar-se de chamar seu marido, simplesmente correu e correu cegamente até chegar à baía, esporadicamente gritando por Izzie. Ao chegar lá, sentiu uma angústia inexplicável: ela não estava lá. Ela sabia que o único lugar onde Izzie ia sem avisar era a baía, então olhou para as águas, lá embaixo. Não podia enxergar nada e, sem pensar, jogou-se. Afundou rapidamente nas águas profundas que ali haviam, mas manteve os olhos abertos, nadando ao redor, procurando por Izzie. Estava desesperada, e lembranças de quando ela própia quase morrera, ou melhor, quase se suicidara ali, vinham-lhe inevitavelmente. Olhando para todos os lados, ela demorou a ver uma mecha de cabelos ruivos flutuando. Nadou rapidamente até ali e encontrou-a, já com uma coloração diferente. 
Mesmo estando a metros de profundidade, ela conseguiu testar os sinais vitais da filha, e estes não existiam. Sem hesitar, ela abraçou a filha fortemente e fechou os olhos, esperando que a falta de oxigênio levasse a sua vida definitivamente, dessa vez. Ela queria gritar com sua mãe, dizer-lhe que ela poderia tê-la danificado mas não tinha o direito de fazer isso com Izzie, queria gritar-lhe que a culpa era dela, que ela havia avisado que se deveria cuidar de Izzie de perto, porque ela era tão sensível o quanto a própia Donna, mas ela não tinha energias para isso. Talvez tenha sido um milagre ela ter se salvado há dez anos atrás, mas agora não queria se salvar, não sem a sua filha, e ela sabia que já não havia o que fazer por Izzie. Finalmente, Donna pode ter sua vida esvaindo-se livremente, como sempre desejara, secretamente.
Quando ele largou as malas no quarto e voltou para procurar por sua filha, Donna já havia saído correndo e, quando soube onde Izzie e Donna estavam não estranhou, afinal, aquele era um lugar especial para ambas. Seguiu também até a baía, enquanto a chuva tornava-se ainda mais forte e a noite tornava-se quase um breu. Ao chegar na baía e não vê-las, aos poucos se deu por conta de exatamente o que havia acontecido, após apenas alguns instantes de perplexidade. Sem que percebesse, deu um grito, quase um uivo de animal gravemente ferido. Era incrível que Izzie, mesmo sem saber, houvesse procurado colocar um fim em sua vida exatamente onde sua mãe tentara, dez anos antes. E agora ambas haviam conseguido. De alguma forma, ele sabia que isso seria o melhor para elas, mas isso não impedia que ele sofresse, tornando-se um fantasma de si mesmo pelo resto de seus dias.

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