domingo, 30 de janeiro de 2011

Comigo

Olhando aqueles tão adorados olhos castanhos, ela sorria, observando pela milésima vez os longos cabelos lisos iguais aos dela, o sorriso tranquilo dele, os traços finos, todo e cada pequeno detalhe que compunha aquele ser que lhe trazia algo de inexplicável e necessário - algo que ela sequer sabia precisar, até então. Não sabia ao certo se lhe pertencia por completo ou nem um pouco, mas provavelmente por serem tão libertos um do outro é que se amavam tanto.
Aquela paz, aquela imensidão, tudo até então havia sido apenas uma utopia, mas eis que eles estavam deitados naqueles campos sem nenhum resquício de mundanidade. Não precisavam mover os lábios para sorrir, os dois pares de olhos castanhos brilhavam e se expressavam por conta própria e, como sempre, no silêncio o gesto mais frágil dizia tudo que ficaria eternamente calado de outra forma.
Um dia, talvez nunca, ela gostaria de lhe contar o que fazia com que ela o amasse ainda mais, algo que talvez sequer fazia sentido. De qualquer forma, aquela serenidade, aquela alegria simples e honesta jamais seria possível sem ele, pois fora ele quem lhe mostrara que nenhuma de suas mágoas fazia sentido: o amor estava e sempre esteve nela própria, e não importava o quanto ela tentasse desviá-lo para outra pessoa, ela o continha por inteiro, e jamais precisaria de uma única pessoa para alojá-lo - ele podia assumir toda forma e toda luz que ela quisesse. Ela escolheu a luz dos olhos dele, e no silêncio eles fumavam de mãos dadas, porque era só isso que importava.

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