terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Odiar? Não, obrigada.

    Não são apenas os jovens (apesar de eles serem a maioria), mas muita gente parece fazer questão de afirmar que odeia um determinado grupo ou determinada coisa - sejam os hippies ou os nerds, sempre tem alguém que adora vir e afirmar que "odeia" um monte de comportamentos e coisas análogas. O orkut é um ótimo exemplo disso: existem milhares de comunidades do estilo "Eu odeio tal coisa" e essas comunidades, em especial costumam ser muito cheias, e cheias de adolescentes arrogantes.
    Não posso negar, também possuo algumas comunidades desse tipo, até porque todos nós odiamos alguma coisa, obviamente. Mas acredito que seja completamente desnecessário um odiar "para todos os lados": criticar as mais diversas coisas, desde de gostar de um estilo musical a ter um hábito qualquer, como, por exemplo, comer fazendo barulho. Talvez as pessoas possam ter alguns hábitos irritantes ou gostos divergentes e até mesmo opostos aos nossos, mas isso não faz com que necessariamente tenhamos que odiá-las. Como estamos cansados de saber, muitas vezes é o contraste que encanta, que faz com que as coisas não se tornem excessivamente óbvias e repetitivas. Mas os adolescentes, em especial, parecem adorar odiar muitas coisas, boa parte delas insignificantes. E, como justificativa para isso, só vejo uma razão que parece ser mais verdadeira: a necessidade de autoafirmação.
    Obviamente, eu não entendo absolutamente nada de psicologia e psicanálise, tampouco já estudei esses assuntos. Mas, como eu mesma sou adolescente, sei que essa é uma fase difícil, onde ainda não estamos totalmente certos do que somos e do que seremos, tampouco conhecemos a nossa verdadeira personalidade, nossas mais naturais tendências - e muitos de nós entram em pânico com esse não saber, tornando-se agressivos. Querendo encontrar-se, criticam tudo aquilo que, sem sequer um julgamento mais profundo e de conhecimento, parece-lhes ruim ou indesejável. Não é raro que, se formos conversar com adultos, estes nos contem que quando eram jovem abominavam condutas que acabaram por assumir, por perceberem que eram as corretas, e em alguns casos dizemos que isso nunca nos acontecerá. Porém, de uma forma ou de outra, isso sempre acontece.
    Talvez, se fôssemos um pouco mais inteligentes, perceberíamos que se, ao invés de ficarmos criticando uns aos outros e à sociedade, usássemos nosso tempo procurando por nós mesmos, amadureceríamos mais rápido e ainda ganharíamos o grande privilégio de não nos estressarmos com coisas irrelevantes. Sei que muitos não gostam de filosofia, mas ela é uma ótima alternativa para pensarmos e nos definirmos de acordo com aquilo que somos e que realmente queremos ser, apesar do que os outros possam julgar e do que seja considerado normal pela sociedade. Estudar filosofia, ao invés de julgar, criticar e torcer o nariz para viventes que não tem culpa por serem como são é imensamente mais útil, pena que pouquíssimos de nós podemos perceber isso.
    O mais engraçado disso tudo, é que muitos jovens odeiam tudo e todos sem motivo, irritam-se com coisas banais e apesar de todo o drama, os seres odiados não se importam. Isso mesmo! Isso não altera em absolutamente nada a vida dos seres odiados, o que é ainda mais um motivo para não odiar. O ódio é desgastante e destrutivo, e nesses casos, só faz mal ao próprio "odiador", além de ser uma grande perda de tempo. Já tive rompantes de ódio, mas agora cansei disso. Acredito que, ao invés de odiar e criticar, ocupo muito melhor o meu tempo fazendo o que eu gosto e procurando construir o que eu quero. Então, agora, quando vejo gente odiando tudo e todos e se apavorando com a minha calma, eu simplesmente dou de ombros e digo: "Ah, odiar? Dá muito trabalho, e eu não tenho disposição para isso.", e posso garantir que essa é a melhor forma de se sentir. "Conhece-te a ti mesmo", deveria ser o lema não apenas dessa geração, mas de todas. Porque talvez assim o mundo seria bem melhor habitado.

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