Mais um fim chega, e nada há de especial, a não ser pelo fato de que, como era de se esperar, dessa vez o corte foi mais profundo e mais sujo. Os meses pareciam se arrastar mas de um momento para outro todos tinham se esvaído... E simplesmente não há o que fazer. A esperança, como já se sabia, é hipocrisia, é quase infantilidade (ou seria melhor definir como imbecilidade?) e não há justificativa racional ou emocional para os dias tempestuosos que passaram. Atravessar o oceano à nado sem razão e sem respirar seria insuportável se no final não viesse sempre uma paz de ter estado sempre, nem que fosse, minimamente consciente do quão inútil era aquela batalha. Mas temos por hábito não desistir sem lutar até o fim - e isso, por vezes, é o maior dos erros que cometemos.
A sujeira mascarada de beleza é a única beleza que é possível. Quanto mais belo, maior a crosta de maquiagem que esconde a pele putrefata, um sorriso e algumas palavras bem belas e inócuas para convencer bem o público, e pronto: aí temos a mais bela história. Todos invejam a suposta perfeição, a pureza, a intensidade dos sentimentos, quando inocentemente, não sonham com a metade da perversão e da pobreza dessas almas que se ostentam tão nobres. Todo mundo parece esquecer do quão importante a verdade é, mesmo em detrimento da beleza. Só a verdade pode libertar, meus caros. A beleza não passa de luz efêmera.
O mais engraçado de tudo é que podemos nos revoltar quando somos vítimas, mas no íntimo também sabemos que já fomos tão sujos o quanto foram conosco em algum momento. Para alguns, somos aqueles que trouxeram ilusões e dor, e só não somos assim com os que nos magoaram porque ainda temos algo de bom em nós mesmos - ou, em alguns casos, ainda há a esperança de que toda aquela verdade dolorosa seja mascarada outra vez e haja outra pseudo-felicidade. E isso sim é mais triste e pobre do que qualquer outra coisa.
Uma das coisas mais difíceis é parar de construir sorrisos que escondem a fraqueza. É muito mais fácil tentar convencer aos outros de que estamos bem sem procurarmos nos sentir dessa forma internamente. Mesmo que continuemos dessa forma, pelo menos sempre há a paz de finalmente voltarmos para nossa essência e ficarmos isolados em paz, amém - até que o descanso eterno acabe outra vez.
Nenhum comentário:
Postar um comentário