Atenção: contém spoilers.
Por volta da transição de 2001 para 2002, o filme de Harry Potter e a Pedra Filosofal era lançado no Brasil, mais especificamente no dia 23 de novembro de 2001. Eu, particularmente, só fui me interessar pela história alguns meses depois, não sei ao certo quando, mas provavelmente no começo de 2002. Como todas as crianças de minha faixa etária (de outros países, não do Brasil), eu estava curiosa sobre o mundo bruxo, e pedi para minha mãe que alugasse o filme para mim. Ela concordou, e desde então, acredito eu, arrepende-se profundamente disso - porque nunca mais larguei o fantástico mundo bruxo.
Lembro-me perfeitamente bem que assisti Harry Potter na escola também, mas ninguém se importou muito. Li o livro, mesmo que eu fosse realmente nova, parecia-me grande mas era tão interessante que, mesmo que eu demorasse um pouco, decidi arriscar. O preço que paguei foi acabar por me apaixonar completamente por toda a história, tanto que releio os livros até hoje, anos depois de tudo ter começado - e agradeço à Merlim por isso.
Infelizmente, é mais do que uma possibilidade, é uma certeza confirmada de que 98% das pessoas não consegue sequer compreender a eterna magia de Harry Potter e tudo que o envolve. Algumas pessoas já ouviram falar, outras assistiram algum filme que outro, raríssimas assistiram todos os filmes, e mais raras ainda são realmente fãs, daquelas que lêem e relêem os livros, assistem muitas vezes os filmes e entraram completamente para o mundo mágico que J.K. Rowling criou para todos astutos o suficiente para viver mentalmente nele. E quem ainda não vive nele, jamais poderá compreender o quão fascinante é viver magicamente!
Nada se compara a saber com toda a certeza do mundo à qual Casa se pertence, saber qual seria o seu patrono, apegar-se à uma família bruxa, lembrar-se com carinho de cada episódio da vida de Harry, compreender seus sentimentos e sua bravura imensurável, por vezes sentir-se exatamente da mesma forma que ele própio em relação à alguma personagem, outras vezes sentir-se de forma completamente diferente mas mesmo assim respeitar seus sentimentos... Ler Harry Potter é viver a saga juntamente com ele, é ganhar uma família, um mundo, um lar. Apegar-se aos personagens, envolver-se profundamente com toda a trama, torcer para sua Casa e para seu time favorito de Quadribol, sonhar com criaturas mágicas, tudo isso é incomparável, imensurável... tanto que me faltam adjetivos para qualificar! A ansiedade de esperar pelo próximo livro e/ou pelo próximo filme, as teorias malucas que surgiam antes do sétimo ser lançado, escrever fanfics, enfim, tudo que envolve Hogwarts e esse mundo maravilhosamente magnífico que nos foi presenteado por Joanne Rowling, é algo que marca profundamente a vida de todos aqueles que realmente souberam apreciar a grandiosa obra da autora.
Assim como Evanna Lynch, acredito que muitos outros fãs pelo mundo tenham sido, literalmente, salvos pelo mundo bruxo. Qualquer um é capaz de perceber o quão filosófica toda a história é, e quanto os personagens tem um talento completamente encantador de tornarem-se, de fato, parte do nosso cotidiano, nossos familiares. Tenho certeza que Dumbledore, Sirius, Remus, Hagrid, o própio Harry e muitos outros personagens foram e são a força e os exemplos, os heróis de muitas pessoas. Harry Potter vai muito além do entretenimento de qualidade, é uma nova forma de vida, praticamente. Duvido muito que exista alguém que realmente seja fã de Harry Potter e não tenha tido sua vida mudada em vários níveis, de forma irreparavelmente boa. Harry Potter é capaz de trazer uma nova visão de mundo e até mesmo uma nova forma de encarar a vida, eu ousaria dizer. Harry Potter pode ser e é a salvação em muitos casos. E é uma forma muito prazerosa de salvar-se, convenhamos.
Em 15 de julho de 2011, será lançado o último filme da série, Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte II. Mesmo tendo lido o livro e sabendo quase que exatamente tudo o que acontecerá (afinal, do quarto filme para cá, a Warner inventou de colocar cenas inexistentes nos livros), é inevitável a ansiedade, a agitação e a empolgação com o lançamento. Vemos os atores falando, vemos a primeira parte nos cinemas, relemos o livro, mas nada se compara a ver, finalmente, o filme lançado. Será doloroso ver a perda de muitos personagens extremamente adorados no filme, mas é inevitável. Só é mais doloroso porque a visão do fato no filme parecer ser uma consumação ainda maior, um veredicto final, assim como o sétimo livro foi para aqueles que (como eu) tinham a esperança que, de alguma forma, Sirius e Dumbledore voltassem.
Seja como for, aconselho a todos, sem exceção, sejam crianças ou idosos, homens ou mulheres, comunistas ou burgueses, enfim, a qualquer pessoa que saiba ler (e quem não sabe ler poderia considerar aprender, nem que fosse apenas por Harry Potter...), que leia Harry Potter, leia profundamente, leia do começo ao fim, leia milhares de vezes. Quem não leu ainda, pode ter a mais absoluta certeza que, talvez o primeiro livro seja difícil (não compreendo como, mas sempre pode haver quem ache) mas, certamente depois de ler o primeiro, a leitura dos outros será a melhor coisa, será algo espontaneamente necessário, será um desejo irrefreável. Encantem-se por Hogwarts, tornem-se sonserinos (ou escolham qualquer outra Casa, mas particularmente aconselho a juntarem-se à melhor de todas as Casas), tornem-se fanáticos por Quadribol, conheçam matérias escolares muito interessantes e vivam num mundo completamente novo, num mundo perfeitamente mágico - e lembrem-se de que a magia não acaba nunca.
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