quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Todas as Formas

(Texto escrito em 30/06/2010)

A primeira coisa em que geralmente notamos quando revemos uma pessoa que há tempos não víamos, é no quanto ela emagreceu ou engordou. Até mesmo os homens têm reparado nisso de uns tempos para cá. Martha Medeiros falou em uma crônica o quanto se revoltava com isso, pois já aconteceu com ela de ter tido uma filha e ter lançado um livro, e quando reencontrou uma pessoa, a única coisa que ouviu foi "Como você está magra!".
As pessoas (normais) tem uma vida além da tarefa de cuidar do corpo. Fazem coisas muito mais importantes que isso: se formam, têm filhos, conseguem um emprego melhor, mudam de vida. E mesmo assim, as pessoas insistem em antes de tudo ver se o corpo da pessoa está no padrão imposto pela mídia.
Modelos, atrizes e cantoras: todas magérrimas, é só o que se vê na mídia. Por vezes aparece alguma mulher mais natural (não necessariamente acima do peso, apenas não-magérrima), mas esta geralmente não é tão apreciada quanto as outras. Por que? Porque está fugindo, por menos que seja, do padrão esperado.
A ideia de que a beleza tem uma única forma é tão exaustivamente imposta que acabamos por assimilá-la sem nem percebermos que ela não nos pertence. Ela é imposta pelos meios de comunicação, ao mesmo tempo que estes mesmos nos incentivam à uma vida sedentária e à uma má-alimentação. O padrão de beleza que a mídia impõe é de corpos magérrimos e/ou bem definidos. Isso só pode ser obtido através de boa alimentação e exercícios físicos, e então as pessoas que tomam as ideias da mídia por suas se frustram.
É realmente importante cuidar do corpo. Certamente, se não cuidarmos do nosso corpo sofreremos más consequências. Mas não é necessário se tornar magérrimo ou "sarado" para estar saudável. Ter barriga, ter quadris largos, não faz mal algum (sem exageros, é claro). Por vezes uma pessoa normal (que pode ser considerada acima do peso pelos padrões) é muito mais saudável do que uma pessoa que está nos padrões esperados. Pois para ficar nos padrões, pessoas cometem loucuras: ficam sem comer, malham demais e acabam desenvolvendo vários distúrbios, como a anorexia e a bulimia. Assim ficam com o corpo nos padrões - mas também ficam à beira da morte, por vezes. E acaba que de nada valeu "se cuidar" por seja lá quanto tempo que tenha sido: o corpo está debilitado pelos padrões, e o dano por vezes é irreversível.
Nada impede que passemos a vida toda fora dos padrões de beleza. De fato, a maioria das pessoas passa a vida toda longe deles, e o pior de tudo, preocupadas por isso. Mas por que precisamos ser magros para sermos belos? E além do mais, por que precisamos ser belos para termos valor? A beleza é absolutamente relativa, tanto que mesmo entre duas pessoas que estão nos padrões, uma pode ser considerada mais bela do que a outra. A beleza pode estar em corpos rechonchudos, corpos magros, corpos normais. O corpo é apenas a parte palpável do ser humano, que é infinitamente maior que suas limitações corporais. A verdadeira beleza está nos olhos de quem realmente vê, e não apenas enxerga os outros. Gordos, magros, atléticos, não importa: a beleza está em quem não se preocupa com ela. E quem consegue se libertar desses padrões, a mídia já não consegue mais influenciar, pois quem não se importa com os padrões pode apreciar a beleza em todas as suas cores e formas. E isso sim, é imensamente belo.

Nenhum comentário: