sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mikrokosmos VII

     Sem que entendesse muito bem o que estava acontecendo, ele foi subitamente quase atropelado por ela, que pulou em seu colo, rindo e beijando-o alegre como ele não lembrava de tê-la visto jamais. Retribuindo-lhe os beijos e olhando-a já envolvido por sua alegria, longe de estar reclamando, ele perguntou:
    - Mas que diabos aconteceram...?
    Ela riu mais ainda, fazendo-o sorrir. Segurou o rosto dele e olhou-o, comovida, e ainda no colo dele, aproximou seu rosto do dele, sussurrando:
    - Você se lembra melhor do que ninguém o quanto eu estive assustada, triste, acuada. Mas subitamente...Subitamente eu compreendo que não há nada a temer. O medo não impede que algo de ruim aconteça, e confio em você. Quero confiar, acreditar que nada disso vai simplesmente se perder na neve. Você está aqui, sempre esteve. E você foi meu abrigo há um ano atrás, e tem sido desde então...
    - E serei por quanto tempo você quiser.
    Ambos mais seguros do que jamais haviam se sentido em suas vidas, beijaram-se voluptuosa e amorosamente, entregando-se sem culpa e com a maior intensidade à luxúria e aos sentimentos intensos que ambos sentiam. Enquanto ela dormia, ele chorou silenciosamente, beijou-lhe os olhos, os cabelos, os lábios, e enterrou seu rosto em seu pescoço, aspirando sua presença. A súbita coragem dela dava-lhe forças. E mais amor.

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