Ela chegara com
timidez em sua vida. Com seus sorrisos ao mesmo tempo tímidos e com uma certa
malícia, com o brilho dos olhos castanhos, enfim, com sua doçura, havia encantando-o,
muito mais profundamente do que ele jamais desejara.
Primeiramente, ele encantara-se com sua humildade de querer aprender tudo, com sua contínua doçura e, principalmente, com a intensidade de seus olhos. Repetidamente ele tentara negar que estava inegavelmente apaixonado por ela, mas nada havia que pudesse evitar o que acontecera naquela noite. Na penumbra silenciosa e densa daquela madrugada, ela subitamente entrara na sala, tirando-o de suas reflexões costumeiras, tirando todo pensamento que não fosse ela própria de sua mente. Nada disseram, num acordo tácito ele levantou-se e indo até ela, passou delicadamente as mãos pelos cabelos lisos, encarou os olhos castanhos que brilhavam intensamente na penumbra e então beijou-a mais intensamente do que jamais havia beijado qualquer mulher em sua vida inteira. Perdeu-se então pela primeira vez naquele corpo jovem e alvo, naquelas formas arredondadas, os cabelos ruivos e lisos envolviam-no e as pernas longas, as mãos, a respiração densa, ela estava profundamente nele e ele a penetrava com amor e angústia, com a dor de amar tão profundamente alguém tão inesperada como ela.
Através dos dias então, amaram-se. Ela trazia-lhe beleza e luz, enchia o apartamento com seu riso quente e alegre, dançava, entregava-se e fazia-o profundamente feliz. A simples imagem dela tinha o poder de encantá-lo, de alegrá-lo - mal podia caber em si de amor quando via-a em silêncio lendo um livro, os olhos castanhos concentrados nas milhares páginas que pertenciam a ele próprio mas que à ela, e somente à ela, ele não sentia ciúme algum de emprestar, pelo contrário, sentia até prazer de ver cada palavra, cada página ser tocada e lida por ela. Jamais se esqueceria dela com os cabelos molhados da água do chuveiro, completamente entregue, ele beijando os ombros cobertos por pingos de água, a respiração densa dela em seu ouvido; abrir os olhos e vê-la observando-o dormir com um sorriso profundamente carinhoso, e o brilho dos olhos dela ser ainda mais belo que a luz solar de duas da tarde que entrava pela janela; o olhar grave antes dos beijos; o gosto de cigarro e café daqueles lábios desenhados e o pedido para que a chamasse de Martine, sempre de Martine, porque ela adorava seu sotaque francês e a forma que seus lábios adquiriam ao dizer "Marrtine". Ele chamava-a "Marrrtine" e ela fechava os olhos em deleite, em seguida beijando-o, acariciando-o, tão despudorada o quanto pode ser um anjo ruivo amando um humano.
E então, agora, ele estava sozinho. Súbita e dolorosamente sozinho. Ele sempre soubera que sua Martine teria de ir viver sua própria vida um dia, e ele própio insistira em não ir junto, por mais que os olhos dela houvessem transbordado e certamente houvessem deixado o seu apartamento sem o mesmo brilho original. Ele sofria profundamente por não pode ver o quanto ela o amava, o quanto ela não se importava com nada do que ele considerava dificuldades para que ficassem juntos. Ela amava-o, e apenas sabia disso. Ele sofria, desintegrava-se, chorava seu abandono, sentia a pele clara e macia dela sobre a sua, sentia o cheiro de seus cabelos ruivos, via os olhos brilhando intensamente na penumbra, ouvia sua voz carinhosa chamando-o, sussurrando seu nome, sentia as mãos de dedos longos acariciando-o, podia senti-la em si como jamais havia sentido mulher alguma antes.
Tão perdido estava ele em seus devaneios naquele entardecer de primavera, que sequer ouviu o barulho das chaves na porta, só sentiu-se desperto quando sentiu o cheiro dela invadindo suas narinas e sua mente. Ele virou-se então e viu-a aproximando-se, e então, encarando seus olhos verdes que ela tanto adorava, ela sussurrou:
- Ne me quitte pas - com urgência, os olhos de ambos encheram-se de lágrimas e ele beijou-a profundamente, entregando-se ao café e ao cigarro, ao doce e intenso sabor de Martine. Eles se casariam em Paris ou Versalhes, teriam filhos ou não, não importava: ele se perderia na imensidão branca da pele e na escuridão brilhante dos olhos de sua Martine pelo resto de seus dias.
Primeiramente, ele encantara-se com sua humildade de querer aprender tudo, com sua contínua doçura e, principalmente, com a intensidade de seus olhos. Repetidamente ele tentara negar que estava inegavelmente apaixonado por ela, mas nada havia que pudesse evitar o que acontecera naquela noite. Na penumbra silenciosa e densa daquela madrugada, ela subitamente entrara na sala, tirando-o de suas reflexões costumeiras, tirando todo pensamento que não fosse ela própria de sua mente. Nada disseram, num acordo tácito ele levantou-se e indo até ela, passou delicadamente as mãos pelos cabelos lisos, encarou os olhos castanhos que brilhavam intensamente na penumbra e então beijou-a mais intensamente do que jamais havia beijado qualquer mulher em sua vida inteira. Perdeu-se então pela primeira vez naquele corpo jovem e alvo, naquelas formas arredondadas, os cabelos ruivos e lisos envolviam-no e as pernas longas, as mãos, a respiração densa, ela estava profundamente nele e ele a penetrava com amor e angústia, com a dor de amar tão profundamente alguém tão inesperada como ela.
Através dos dias então, amaram-se. Ela trazia-lhe beleza e luz, enchia o apartamento com seu riso quente e alegre, dançava, entregava-se e fazia-o profundamente feliz. A simples imagem dela tinha o poder de encantá-lo, de alegrá-lo - mal podia caber em si de amor quando via-a em silêncio lendo um livro, os olhos castanhos concentrados nas milhares páginas que pertenciam a ele próprio mas que à ela, e somente à ela, ele não sentia ciúme algum de emprestar, pelo contrário, sentia até prazer de ver cada palavra, cada página ser tocada e lida por ela. Jamais se esqueceria dela com os cabelos molhados da água do chuveiro, completamente entregue, ele beijando os ombros cobertos por pingos de água, a respiração densa dela em seu ouvido; abrir os olhos e vê-la observando-o dormir com um sorriso profundamente carinhoso, e o brilho dos olhos dela ser ainda mais belo que a luz solar de duas da tarde que entrava pela janela; o olhar grave antes dos beijos; o gosto de cigarro e café daqueles lábios desenhados e o pedido para que a chamasse de Martine, sempre de Martine, porque ela adorava seu sotaque francês e a forma que seus lábios adquiriam ao dizer "Marrtine". Ele chamava-a "Marrrtine" e ela fechava os olhos em deleite, em seguida beijando-o, acariciando-o, tão despudorada o quanto pode ser um anjo ruivo amando um humano.
E então, agora, ele estava sozinho. Súbita e dolorosamente sozinho. Ele sempre soubera que sua Martine teria de ir viver sua própria vida um dia, e ele própio insistira em não ir junto, por mais que os olhos dela houvessem transbordado e certamente houvessem deixado o seu apartamento sem o mesmo brilho original. Ele sofria profundamente por não pode ver o quanto ela o amava, o quanto ela não se importava com nada do que ele considerava dificuldades para que ficassem juntos. Ela amava-o, e apenas sabia disso. Ele sofria, desintegrava-se, chorava seu abandono, sentia a pele clara e macia dela sobre a sua, sentia o cheiro de seus cabelos ruivos, via os olhos brilhando intensamente na penumbra, ouvia sua voz carinhosa chamando-o, sussurrando seu nome, sentia as mãos de dedos longos acariciando-o, podia senti-la em si como jamais havia sentido mulher alguma antes.
Tão perdido estava ele em seus devaneios naquele entardecer de primavera, que sequer ouviu o barulho das chaves na porta, só sentiu-se desperto quando sentiu o cheiro dela invadindo suas narinas e sua mente. Ele virou-se então e viu-a aproximando-se, e então, encarando seus olhos verdes que ela tanto adorava, ela sussurrou:
- Ne me quitte pas - com urgência, os olhos de ambos encheram-se de lágrimas e ele beijou-a profundamente, entregando-se ao café e ao cigarro, ao doce e intenso sabor de Martine. Eles se casariam em Paris ou Versalhes, teriam filhos ou não, não importava: ele se perderia na imensidão branca da pele e na escuridão brilhante dos olhos de sua Martine pelo resto de seus dias.
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