segunda-feira, 18 de julho de 2011

Swallowed In The Sea


Ela não poderia estar com uma roupa mais comum. Seus jeans, seus all star, sua jaqueta verde, seu cabelo preso num rabo-de-cavalo, tudo era tão simplório que quase a desnudava. Ela olhava, calada, a luz amarelada do entardecer de domingo se estendendo pelo gramado onde estava sentada. Fechava os olhos e podia ouvir perfeitamente a voz dele: “Quando a guerra houver acabado, você estará livre. Prometa-me então seguir seu coração. Prometa-me.”
               
Parecia que tudo seria possível após o fim da guerra, menos um recomeço. Mas ele estava certo. Ela lutara por manter aqueles que ela amava seguros e, por mais que houvesse falhado com ele próprio, que era a pessoa que ela mais amava, sabia que no fundo não era sua culpa e, em algum ponto, entenderia que ele morrera por uma causa maior do que ela podia apreender agora. Mesmo que não parece justo, de forma alguma. Mesmo que, no fundo, ela jamais pudesse compreender como poderiam lhe exigir que vivesse sem o seu pai.
                Estar despida de seu orgulho era difícil. Porque, na verdade, seu orgulho era sua proteção contra o mundo que, por mais pudesse não parecer, não havia sido exatamente generoso com ela. Apesar de tudo, ela agora simplesmente fechava os olhos, abraçando os joelhos. Não queria pensar em nada, não queria fazer nada. Estava apenas respirando e, por enquanto, era o que bastava, tinha de bastar.
Passou muito tempo de olhos fechados, concentrada nisso, ou talvez apenas um minuto, e ouviu um leve farfalhar na grama. Abriu os olhos e, lentamente, um pequeno de grupo de pessoas se aproximava dela. Postou-se de pé num átimo, e olhou lentamente, de rosto para rosto amado. Ali estavam seu pai, seu melhor amigo, seu irmão, o homem que amava, sua melhor amiga, sua madrinha e seu padrinho, todos os seus grandes amigos e todos aqueles que realmente importavam. Ficou imóvel, olhando-os como se nunca mais fosse poder vê-los outra vez, e quem garantia que poderia mesmo? Até que seu pai sorriu. Um sorriso como o dela, que começava por um brilho no olhar e se espalhava pelos lábios, iluminando o rosto redondo com suas próprias feições, e então o sorriso se espalhou... Seu irmão, sua madrinha, todos rindo, inclusive ela, rindo e chorando, mostrando que ela ainda era deles. Que ela ainda tinha uma casa, um lar para voltar. Então ela se jogou -

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