terça-feira, 29 de junho de 2010

Sensibilidade? Sim, sim.

    Mal posso acreditar na paranóia absurda que me ocorreu hoje: e o pior de tudo, me pareceu séria. De uns tempos para cá, só tenho escrito "crônicas" sobre sentimentos (nada de opinião, como na Não Deu Certo). Grandes exemplos são Respirar, O Silêncio, A Poesia, entre outras. E hoje me peguei pensando se não estava se tornando ridículo me mostrar tão sensível.
    Ainda não acredito que um troço desses me ocorreu. Oras, pois onde já se viu? Se são justamente os sentimentos que nos tornam seres humanos, são justamente eles que nos movem, como pode ser ridículo? Sim, eu sou sensível, até demais - mas isso não é sinônimo de fraqueza, como costumam achar.
    Estamos acostumados a vestir uma máscara para sair de casa: podemos estar aos frangalhos por dentro, mas insistimos em jamais, sob hipótese alguma, chorar em público, dizer "não estou bem", ou pior ainda, dizer que estamos sofrendo por amor. Estamos tão acostumados com a imagem vendida pela mídia de que temos de ser sempre felizes que acabamos com medo de mostrar nossos sentimentos verdadeiros (principalmente a tristeza). E isso é tão insistente, tão repetitivo, que acaba atingindo até mesmo quem sabe que não existe amor sem dor, paz sem guerra (créditos ao Galeano).
    Acaba que um dia a pessoa se pergunta: não estou sendo ridícula chorando no ônibus? Quem se importa! Ali estão estranhos que jamais veremos de novo, e mesmo assim nos preocupamos porque "pode haver um conhecido", ou, em extremos, "borra a maquiagem". Não há nada de errado em chorar em público: isso mostra que está doendo, só isso. Não é fraqueza, nem fiasco: é sinceridade. Crianças choram quando dá vontade e não precisam de analista. É claro que é desnecessário também chorar com propaganda de chocolate, mas convenhamos, quando a coisa tá difícil, qual é o problema? Todos estamos sujeitos a dores e alegrias, faz parte.
   Sim - eu estou em crise. Passo noites em claro, choro, me preocupo. E sim, ando escrevendo repetitivamente sobre isso, porque é isso que tem ocupado minha mente. Minhas opiniões sobre o mundo continuam em mim, sentimentalismos à parte, mas são os sentimentos que me ocupam agora. E é absurdo que eu tenha, por um mínimo momento, me sentido insegura por isso. Sei muito bem que se as pessoas demonstrassem mais seus sentimentos o mundo seria no mínimo melhor. Muitos problemas poderiam ser resolvidos dessa forma extremamente simples.
     Até pode ser que, atualmente, uma pessoa que não demonstra sentimentos possa ser considerada forte. Mas, forte em que sentido? Se é muito mais difícil viver com os sentimentos todos à flor da pele, por que é mais forte quem não se importa em sentir?
    Depois desse susto, acho que ficarei ainda mais sensível (eu ia escrever sentimental, mas sentimental já se tornou quase ofensivo, o que também é lamentável) a tudo. Meus amigos e as pessoas que lêem (?) o que escrevo que aguentem, sou sensível sim. E já não tenho tempo nem razão para esconder isso. Talvez fosse mais respeitável falar apenas de visão geral de mundo, mas eu simplesmente não sou só isso. Sou, principalmente, a forma que sinto o que vejo. Já pensei tantas vezes em escrever um "Ode à Sensibilidade" que nunca escrevi, não sei porque (e tristemente, talvez seja justamente por esse medo de mostrar que sou sensível). Agora já é o bastante. Sou sensível ao extremo, por que negar? Chorei assistindo Cidade dos Anjos, e nem por isso sou mais fraca - talvez mais humana, isso sim. Mas é claro que, vivendo numa sociedade onde temos que ser individualistas ao extremo e apenas máquinas de consumo, isso não é bom. Eu não me importo. Sou sensível, e assumo, quem vem comigo?

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