sábado, 12 de junho de 2010

A Poesia

Ela caminhava tranquilamente sob o sol de meio-dia. Fazia frio, ela estava alegre. Sentiu ele se aproximar com aqueles olhos brilhantes, aqueles olhos cheios de vida que tanto a encantavam. Eles brilhavam, num sorriso que revelava a ela o menino que ainda vivia naquele corpo de homem. Ela sorriu, fazendo seus olhos escuros brilharem intensamente, resplandecendo o brilho dos olhos dele.
Conversavam alegremente, caminhando lado a lado. Qualquer palavra era motivo de sorriso, cada informação renovava o brilho dos olhos. Ela se perguntava até que ponto aquilo era real; até que ponto aquela conversa era muito mais do que uma mera troca de palavras e olhares, até que ponto aquilo era na verdade uma transmissão de tantas possibilidades vistas um no outro. Pois sim... Ela via nele, naquele homem tão doce e tão encantador, via uma possibilidade incrível de vida, de aproveitar os momentos que lhe restavam com alguém que buscava, exatamente como ela, algo que ia além de simplesmente uma relação passional, alguém que buscava algo que realmente valesse a pena de ser vivido, buscava a intensidade, a sinceridade e a reciprocidade, buscava de fato compartilhar a vida, compartilhar de fato momentos únicos, momentos eternos, que seriam só deles.
Ela conversava com ele, falava ansiosamente, querendo apenas e unicamente que de alguma forma ele percebesse quem ela de fato era, que ela buscava o que ele buscava, que quando ele falava em aproveitar a vida, ela tinha vontade de dizer a ele: "Então pega a minha mão e vamos logo, o dia tá lindo e nós dois queremos fazer valer a pena, e nós podemos.", mas ela nunca dizia. Queria que ele pudesse ler no brilho dos olhos dela o quanto ela desejava que aqueles sonhos todos de ter algo realmente belo fossem realizados, que os dois pudessem encontrar um no outro o que tanto andaram procurando por aí sem jamais encontrar. Queria também que ele, de alguma forma, percebesse que ela estava disposta a compartilhar sua vida com ele, talvez compartilhando o melhor que jamais poderia acontecer aos dois. Ela podia sentir a intensidade de tudo que ele dizia desejar, e mais, sentia pulsar nela o mesmo desejo de viver, de sentir, de amar.
E mesmo com esse turbilhão de vida e esperança remota dentro dela, ela continuava a falar com ele sobre livros, sobre as coisas que os dois tanto gostavam. E quando ele perguntou a ela se ela gostava de escrever poesia, ela disse, sorrindo alegremente, que não sabia pôr seus sentimentos em versos, e completou, mentalmente, que certamente de qualquer forma os olhos dele eram belos demais e verdes demais e vivos demais para poderem ser fielmente descritos em uma poesia. E prometeu a si mesma, que se lhe fosse dada a chance de realmente viver o que tanto queria, tentaria escrever uma poesia sobre aqueles belos olhos brilhantes, os quais ela faria brilhar de felicidade sempre, se dependesse apenas dela.

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