segunda-feira, 28 de junho de 2010

- 1996

11 de outubro de 1996: morre, no Rio de Janeiro, Renato Manfredini Júnior. 25 de fevereiro de 1996: morre, em Porto Alegre, Caio Fernando Abreu.
Desgraça pouca é bobagem, dizem por aí. E acho que é verdade mesmo. Até hoje de tarde, não sabia que esses dois grandes homens haviam morrido no mesmo ano. Considerando o quanto eles significam para mim hoje em dia, não gosto de pensar no impacto que esse ano me causaria. Mas felizmente (ou talvez nem tanto), em 1996 eu tinha 3 anos e minha única preocupação na vida era assistir A Pequena Sereia todos os dias, comendo pão com catchup e à tarde aprender a ler com minha avó.
Caio Fernando Abreu, obviamente, naqueles tempos eu nem sonhava que existia. Mas o Renato... Eu já ouvia sua voz enchendo minha casa com suas incríveis canções. Ele já me fazia pensar "se o vento leva mesmo tudo embora" e eu já imaginava direitinho a história de João de Santo Cristo. De alguma forma, a voz dele já estava em mim. Na época, eu não soube da morte dele, talvez por um cuidado especial da minha mãe, não sei. Só sei que eu nem sonhava que dois dos meus heróis (entre eles, o mais querido de todos) estavam morrendo. Meu mundo continuava na mesma paz triste em que sempre esteve.
Pois sim, eles são meus heróis. Principalmente Renato Russo - por sua participação essencial em minha vida e grande influência em minha visão de mundo e em minha personalidade. Caio F. (o primo careta da Christiane, importante lembrar), por me divertir e me falar do seu tédio que é o mesmo meu. São homens que não tiveram vergonha de existir de verdade e mostrar, através da arte o que essa existência lhes causava. E eles sempre me ajudam.
Caio me diverte e me comove, Renato me dá forças, me faz crescer. Não sei honestamente como seria se ao invés de 1996 fosse 2006 o ano fatídico, acho que eu entraria em uma crise existencial literalmente de “meus-heróis-estão-morrendo-e-agora?” e ficaria em choque, eu acho. Seria doloroso, porque mesmo que eles sejam apenas meus ídolos, eles fazem parte do meu dia-a-dia e o Renato, especialmente, sempre fez. Às vezes saio e lembro deles com alguma besteira, com algo que eles gostem, com um detalhe qualquer. Quando não estou bem procuro neles consolo e acabo por vezes achando até mesmo respostas. Seria difícil se não fosse pelo legado admirável que eles deixaram para todos nós.
Seja como for, o mais importante é que 1996 já passou e mesmo que eles tenham morrido, ainda está aqui tudo o que eles deixaram: e eles deixaram suas essências em tudo o que fizeram. E já que eles não podem continuar buscando o que realmente importa, quem sobreviveu pode e deve, porque ainda tem essa oportunidade. Afinal, Renato Russo ainda canta para mim: "Quando tudo está perdido / Sempre existe uma luz / Quando tudo está perdido / Sempre existe um caminho" e acredito nele. Porque meus heróis ainda vivem - em mim.

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