Ela poderia reconhecer aqueles cabelos loiros mesmo na total escuridão, mas vê-los ali, no meio da neve, foi inesperadamente impactante. Porque ela tinha ido embora sem olhar para trás, sem se despedir. E agora aqueles olhos azuis perscrutavam-na e, num simples instante, desvendavam tudo. Melhor do que ela própria.
Os dois se aproximaram sem pressa. Aos poucos, eles haviam descoberto que sempre estariam ligados, sob quaisquer circunstâncias, então não havia urgência, apenas a calma simples da certeza. A certeza total que, de alguma forma, juntos ou não, as coisas se ajeitariam, e que sempre poderiam correr de volta para aquele lugar, sob a árvore dela. E estavam certos.
Ele lhe estendeu a mão um átimo antes de ela fazer o mesmo. Os sobretudos pretos os protegiam do frio da neve naquela floresta branca, mas nada seria capaz de retratar o que sentiam, porque eles próprios não sabiam. Simplesmente não sabiam o que lhes causava aquele adiantado reencontro, enquanto ainda era tão cedo, porque era simplesmente difícil. Ele não cobrava nada, segurava suas mãos nas dele, aquecendo-as e a fitava nos olhos pacientemente, a tranquilidade transbordando dos olhos azuis. Pedir desculpas seria suficiente, necessário? Na verdade, nunca fora. As explosões de raiva dele e as partidas dela eram parte disso tudo, e ponto. Não havia pelo que se sentirem tristes ou culpados.
Ele se aproximou dela e a beijou devagar, sentindo a volúpia crescer aos poucos. Ela respirou fundo e então abriu os olhos, concordando. Ele a levou para casa pela mão, sem saber se seria por uma hora, uma noite ou por anos a fio. Só sabia que teria um fim, mas era bom enquanto durava. Sempre era bom, e sempre teria uma volta. Sempre.
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