Quando o avião finalmente pousou ela desejou, profundamente, que aquele alívio fosse por algum temor de o avião cair ou algo parecido, mas infelizmente não era. Parecia que logo iria nevar, e com isso todas as coisas pareciam se acertar outra vez. Foi a primeira a desafivelar o cinto e saiu apressadamente do avião, querendo chegar o mais rápido possível à plataforma de desembarque.
Passou por toda a burocracia rotineira e quando finalmente estava livre olhou ao seu redor, e por um milésimo de segundo entrou em pânico, da mesma forma como quando não via sua mãe na saída da escola - só que agora o problema não seria achar o caminho para casa sozinha, mas sim um caminho para continuar vivendo. Mas, talvez como um compensação pelas coisas horríveis que vira, foi só ela se virar um pouquinho mais e encontrou aqueles cabelos negros e crespos revoltos, aqueles olhos cinzentos de lobo brilhando, olhando-a cheios de expectativa. Não houve pensamento ou qualquer outro cálculo, ela simplesmente foi correndo até ele e nem se deu por conta do quão forte o abraçou, tampouco que lágrimas absurdas de alívio desciam-lhe pelas faces - talvez absurdas para os outros, mas não para ela. Não para eles.
Depois de ficarem por muito tempo assim, ele segurou-lhe o rosto e simplesmente perguntou:
- Foi tão terrível assim?
Ela assentiu com a cabeça, mas era um gesto desnecessário. Ele sabia perfeitamente que ela vira tanta imundície, tanta hipocrisia e ilusão que até mesmo culpava-se por tê-la deixado viajar, mas ela precisava ir. O trabalho exigiu, e ele também tinha trabalho a fazer - mesmo assim, o alívio de estarem juntos outra vez era tão sinceramente profundo que eles passaram a trabalhar juntos, afinal, a ausência era insuportável não tanto pela ausência física em si, mas sim pela insegurança que ela gerava. Nessas horas eles desejavam ser como os outros casais, nos quais a distância gerava apenas ciúmes e um pouco de saudade, mas esse era um preço pequeno a se pagar pela relação que possuíam. O que atormentava-os era o pânico de que, ao se reencontrarem, alguma coisa ínfima, mas aos poucos significativa, houvesse mudado.
Sabiam que mesmo estando juntos corriam esse risco, mas ao menos teriam aproveitado cada instante antes de amanhecer. Ele passou um braço sobre os ombros dela e, aliviados, foram para casa. E a neve de Helsinki, subitamente, era a coisa mais bonita do mundo inteiro.
Passou por toda a burocracia rotineira e quando finalmente estava livre olhou ao seu redor, e por um milésimo de segundo entrou em pânico, da mesma forma como quando não via sua mãe na saída da escola - só que agora o problema não seria achar o caminho para casa sozinha, mas sim um caminho para continuar vivendo. Mas, talvez como um compensação pelas coisas horríveis que vira, foi só ela se virar um pouquinho mais e encontrou aqueles cabelos negros e crespos revoltos, aqueles olhos cinzentos de lobo brilhando, olhando-a cheios de expectativa. Não houve pensamento ou qualquer outro cálculo, ela simplesmente foi correndo até ele e nem se deu por conta do quão forte o abraçou, tampouco que lágrimas absurdas de alívio desciam-lhe pelas faces - talvez absurdas para os outros, mas não para ela. Não para eles.
Depois de ficarem por muito tempo assim, ele segurou-lhe o rosto e simplesmente perguntou:
- Foi tão terrível assim?
Ela assentiu com a cabeça, mas era um gesto desnecessário. Ele sabia perfeitamente que ela vira tanta imundície, tanta hipocrisia e ilusão que até mesmo culpava-se por tê-la deixado viajar, mas ela precisava ir. O trabalho exigiu, e ele também tinha trabalho a fazer - mesmo assim, o alívio de estarem juntos outra vez era tão sinceramente profundo que eles passaram a trabalhar juntos, afinal, a ausência era insuportável não tanto pela ausência física em si, mas sim pela insegurança que ela gerava. Nessas horas eles desejavam ser como os outros casais, nos quais a distância gerava apenas ciúmes e um pouco de saudade, mas esse era um preço pequeno a se pagar pela relação que possuíam. O que atormentava-os era o pânico de que, ao se reencontrarem, alguma coisa ínfima, mas aos poucos significativa, houvesse mudado.
Sabiam que mesmo estando juntos corriam esse risco, mas ao menos teriam aproveitado cada instante antes de amanhecer. Ele passou um braço sobre os ombros dela e, aliviados, foram para casa. E a neve de Helsinki, subitamente, era a coisa mais bonita do mundo inteiro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário