Em silêncio, ele se aproximou dela e passou a também observar o bebê no berço. A barriguinha redonda subia e descia num sono tranquilo, e os cabelos loiros quase cobriam as sobrancelhas da mesma cor.
- Você deveria descansar um pouco, mesmo se não conseguir dormir.
- Eu estou bem, obrigada - ela não se moveu, ainda observando o bebê. - Isso é a coisa mais absurda que já fizemos.
- O que? - perguntou ele, sobressaltado.
- Ela - sorrindo, ela indicou o bebê com a cabeça. - Acho que é a maior aventura que poderíamos escolher.
Ele respirou fundo. Agora, pelo menos, ela não parecia tão assustada mas... poderia ser?
- Você tem noção de que isso mal começou?
- Sim, eu tenho. No entanto, também tenho a certeza de que é exatamente isso o que eu quero.
Ele procurou e segurou de leve a sua mão. Ela não segurou, mas também não se afastou, ainda com o olhar repousando sobre a menininha adormecida. As olheiras e o cabelo bagunçado já lhe pareciam naturais, mas havia um brilho de alegria, de persistência em seus olhos que ele desconhecia até então. Beijou-lhe os cabelos e, aos poucos, foi conduzindo-na para a cama, fazendo-a dormir feito criança em seus braços, enquanto o alívio da coragem preenchia-no, fazendo-o ter esperanças e adormecer também.
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