-
Eu sabia que você não havia ido embora- sussurrou ele sorrindo, enquanto a
abraçava por trás e repousava a cabeça em seu ombro. Um sorriso
imperceptivelmente maroto não abandonava o seu rosto desde que eles haviam
voltado de Londres. Porque repentinamente era seguro ali - e ele não sentia
medo de permanecer. As coisas foram tomando forma aos poucos e, também aos
poucos, ambos foram percebendo a verdade, mesmo que vê-la não fosse sinônimo de
acreditar nela. Mas era muito mais fácil acreditar quando estavam juntos, e
isso não era exatamente algo finito.
-
Como você sabia dessa vez? - perguntou ela, quando começou a chover.
-
Fácil. A sua felicidade ao me ver lá foi um pouquinho reveladora, sabe? - os
dois riram, e ele prosseguiu. - Sem contar que você não ficou realmente longe,
estava sempre em contato, então se eu sentisse dúvidas era só conversar com
você, e você ficava comigo até o amanhecer, como se ainda estivéssemos num
quarto juntos. E temos os oito meses de casados, também, que você não esqueceu.
Então não foi difícil, você vê, foi mais sobre ter coragem de ir te buscar.
Ele
pôde sentir ela lhe acariciando as mãos, subitamente triste consigo mesma.
Ouviu-a respirar fundo antes de se virar e beijar-lhe o rosto, a boca,
acariciar seus cabelos, puxando-o para si no que ele sabia ser uma gratidão
pela simples permanência dele, pela sua silenciosa espera. Ela calou a certeza
de que ele era tudo, que era a única coisa que ela não podia estragar. Ele era
fragilmente irreparável, e ela não permitiria que ele se perdesse. Nunca.
Perderiam-se um no outro então, como deve ser. Sempre.
(Escrito em 29/08/2011 - 07:14 a.m.)
(Escrito em 29/08/2011 - 07:14 a.m.)
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