Martha Medeiros, Fernando Sabino, Rubem Braga, Caio Fernando Abreu. Nomes comuns e até banais para uns, para outros simplesmente autores legais, mas para algumas pessoas (e agora eu me encaixo) praticamente amigos íntimos.
Uma amizade geralmente é composta de conversas, momentos compartilhados, coisas em comum, coisas opostas que às vezes acabam se completando, enfim, uma quantidade enorme de pormenores que acabam sendo "pormaiores" (e acho que acabo de inventar uma palavra). Nunca dividi nada disso com nenhum dos ilustres nomes citados acima, não propriamente, mas indiretamente, sim.
Quantas vezes são descritas situações, estados de espírito, trechos de músicas, lembranças dispersas, enfim, pedaços de nada e tudo que se confudem na mente da gente e a gente vê escrito por outro? São coisas íntimas, banais, profundas, constantes, são tudo e nada, coisas da vida, anyway. A gente lê, dá risada, chora, reflete e acaba percebendo que os textos por vezes nos penetram, ou parecem apenas uma formulação mais concreta de várias ideias que sempre tivemos. Os girassóis, os cigarros, os versos, o café-preto-forte-e-sem-açúcar, as sensações, os suspiros estremecedores, o riso, o tédio, tudo tão nosso e tão deles, acaba que a gente divide o mundo com aqueles que escrevem, que sentem a mesma coisa que nós.
Em toda essa confusão de vida, que me lembra o barroquismo em seus contrastes tão intensos, a gente tenta de tudo para se exorcizar, para fugir do raso e do sem gosto, sempre procurando algo mais do que o que a gente vê por aí, essa coisa sem gosto, sem cor e sem graça, e então nos afundamos nos livros e então quando achamos essas pessoas, essas adoradas pessoas que colocam seus demônios e suas flores para fora em seus livros, dá um alívio, uma coisa inexplicável: nós percebemos que não estamos sozinhos. Essa densidade toda não se aplica só à nós, mas também àqueles que sofreram e sofrem dessa busca de sentido&felicidade&paz&amor&cultura&tudoqueimporta e muitos outros, e que também já se sentiram desolados por estarem num mundo tão errado como o nosso.
É incrível que, colocando para fora tudo que nos atormenta, possamos ajudar outras pessoas, encontrar outras pessoas, conectar-se mesmo sem saber aos que são de fundamento. O que serviria apenas para um alívio imediato de tédio, alegria, desespero, ou qualquer outra coisa, acaba sendo um bálsamo para outro e aproxima as pessoas que, por outros meios, nem saberiam talvez que outras pessoas têm os mesmo anseios desvairados e puros.
Por essas e outras, que continuo a escrever. Inicialmente, para me aliviar da existência, mas agora também para torcer que alguém - seja quem for, como for, onde for - possa sentir que não está sozinho, que ainda existem pessoas com essa ânsia de não-sei-o-quê-só-sei-que-não-é-isso. Porque através das palavras, duas ilhas podem se tornar uma só.
Uma amizade geralmente é composta de conversas, momentos compartilhados, coisas em comum, coisas opostas que às vezes acabam se completando, enfim, uma quantidade enorme de pormenores que acabam sendo "pormaiores" (e acho que acabo de inventar uma palavra). Nunca dividi nada disso com nenhum dos ilustres nomes citados acima, não propriamente, mas indiretamente, sim.
Quantas vezes são descritas situações, estados de espírito, trechos de músicas, lembranças dispersas, enfim, pedaços de nada e tudo que se confudem na mente da gente e a gente vê escrito por outro? São coisas íntimas, banais, profundas, constantes, são tudo e nada, coisas da vida, anyway. A gente lê, dá risada, chora, reflete e acaba percebendo que os textos por vezes nos penetram, ou parecem apenas uma formulação mais concreta de várias ideias que sempre tivemos. Os girassóis, os cigarros, os versos, o café-preto-forte-e-sem-açúcar, as sensações, os suspiros estremecedores, o riso, o tédio, tudo tão nosso e tão deles, acaba que a gente divide o mundo com aqueles que escrevem, que sentem a mesma coisa que nós.
Em toda essa confusão de vida, que me lembra o barroquismo em seus contrastes tão intensos, a gente tenta de tudo para se exorcizar, para fugir do raso e do sem gosto, sempre procurando algo mais do que o que a gente vê por aí, essa coisa sem gosto, sem cor e sem graça, e então nos afundamos nos livros e então quando achamos essas pessoas, essas adoradas pessoas que colocam seus demônios e suas flores para fora em seus livros, dá um alívio, uma coisa inexplicável: nós percebemos que não estamos sozinhos. Essa densidade toda não se aplica só à nós, mas também àqueles que sofreram e sofrem dessa busca de sentido&felicidade&paz&amor&cultura&tudoqueimporta e muitos outros, e que também já se sentiram desolados por estarem num mundo tão errado como o nosso.
É incrível que, colocando para fora tudo que nos atormenta, possamos ajudar outras pessoas, encontrar outras pessoas, conectar-se mesmo sem saber aos que são de fundamento. O que serviria apenas para um alívio imediato de tédio, alegria, desespero, ou qualquer outra coisa, acaba sendo um bálsamo para outro e aproxima as pessoas que, por outros meios, nem saberiam talvez que outras pessoas têm os mesmo anseios desvairados e puros.
Por essas e outras, que continuo a escrever. Inicialmente, para me aliviar da existência, mas agora também para torcer que alguém - seja quem for, como for, onde for - possa sentir que não está sozinho, que ainda existem pessoas com essa ânsia de não-sei-o-quê-só-sei-que-não-é-isso. Porque através das palavras, duas ilhas podem se tornar uma só.
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