As pessoas costumam procurar por um amor bom, principalmente as mulheres. "Um homem fiel, compreensivo, amoroso, apaixonado, um verdadeiro príncipe". Mal sabem elas que besteira estão fazendo, porque bom mesmo é o amor errado.
Aquela incerteza de saber se ele quer só seu corpo, se gosta de você, se gosta de todo mundo, se ri assim com todo mundo ou só você o faz sentir desse jeito. Aquela coisa de nunca saber se ele vem ou não, se te quer ou não, mas quando ele chega, tudo parece certo e extremamente necessário, aquele êxtase cheio de vida e paixão, o riso, a ardência, as palavras sussurradas, as carícias, tudo perfeito, tudo de forma a fazer valer a pena toda angústia e toda espera.
Pois que graça há de haver no amor certo? Que alívio, que indiscutível certeza incerta ele pode causar, sendo assim tão constante, tão certo, tão confirmado? Que noite de sono vai se perder por um amor que se tem por certo e que todo mundo sabe, um amor sem dificuldade, sem mistério, sem graça. O amor bom é aquele que se faz em lágrimas e riso, em fúria e amor, em delicadeza e devassidão. Sem isso, o amor nada mais é que uma amizade sexuada, uma certeza entediante, mais uma parte da rotina, portanto, só mais uma parte previsível da vida.
Amor que faz feliz não pode e não deve ser assim. Tem que ter o céu e o inferno, o desejo intenso, o riso e o choro, ser a incerteza mas a coisa mais necessária, mais adorada, mais sentida de verdade, tem que deixar os sentidos à flor da pele e os olhos brilhando, ardendo. Tem que ter no mínimo a desconfiança da poligamia, para que quando estão juntos se sintam especiais, como se mesmo provando entre tantos sabores, aquele é o favorito, é aquele o único de que não se cansam. Tem que haver uma constância incerta, um desejo avassalador, um carinho inocente, uma necessidade mútua não por carência, mas por opção.
Podem dizer que esse amor que descrevo é libertino, machista e até mesmo não é amor, é só paixão suja e que não se deve desejar coisa assim. Continuo insistindo nesse amor, porque amor de verdade simplesmente tem que ser assim, para ter graça, para se fazer presente em cada pensamento, em cada suspiro.
Pois a vizinhança que se rale, Dona Flor e Vadinho é que eram felizes mesmo. Amor de verdade tem que ser que nem o deles, amor ardente e sem-vergonha, mas único, intenso e profundo. Ah, que se encontro um Vadinho não me importo de me perder por aí, porque esse sim é príncipe que se preze, amém.
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